O que esperar do novo ano?

(Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

Que o Palmeiras encerra o ano com foguetes e rojões, ao tilintar de taças de champagne, e entra no Ano Novo com o peito estufado e a fronte erguida não resta a menor dúvida. Afinal, ainda com a taça de campeão brasileiro rebrilhando em sua rica galeria de troféus, não só manteve seu ilustre elenco como reforçou-o em alto nível para a temporada que se prenuncia exaustiva, com tantas e tão importantes disputas pela frente.

Assim como o Peixe vem logo atrás, mais modestamente, porém, bem armado para as competições que se avizinham. Reforçou sua zaga com a contratação de Cleber, ex-Corinthians, embora tenha no menino Luís Felipe, machucado, sua maior esperança no setor. E trouxe Leandro Donizeti, do Galo.

A ideia por trás dessa contratação é plantar ali no seu meio de campo tão técnico e hábil, um volante cascudo, desses que não pensam duas vezes em dar aquele carrinho criminoso no adversário, durante, sobretudo, a disputa da Libertadores, tida como uma competição altamente violenta, com o que, por sinal não concordo. Basta ver o atual campeão, o Nacional de Medellin, jogar: é bola no chão, envolvimento e muita agressividade no ataque.

Mas, enfim, neste país dos clichês, vale mais o chavão que a análise fria da história.

Bem, quanto ao São Paulo, entra no novo ano cercado de enigmas. O maior deles, sem dúvida, é a estreia de Rogério Ceni, mito tricolor, como técnico de fato.

Rogério tem dado sinais de que, somando à sua longa experiência como jogador os estudos que andou fazendo ao redor do mundo no último ano, pretende armar um time sob o signo da técnica, mais do que da raça. E este é o maior desafio para o novo treinador: convencer essas recentes gerações de torcedores do Tricolor que esse é o caminho para abrir novas perspectivas ao time, ao mesmo tempo em retoma as origens desse clube, perdidas nas últimas décadas.

Sim, porque muito do drama vivido pelo São Paulo nos últimos tempos – sem falar nas lambanças recorrentes de suas várias diretorias, desde a ascensão de Juvenal Juvêncio e passando pelo desastre provocado por Carlos Miguel Aidar – tem sido o comportamento de sua torcida, especialista em tirar do sério os jogadores de técnica mais refinada que por lá passaram.

Traduzindo: Rogério, antes mesmo de armar seu time, precisa ensinar essa torcida e torcer. E ninguém melhor do que ele – o maior ídolo da história recente do clube – pra cumprir essa tarefa.

Acervo/Gazeta Press

Faz-me lembrar do Dr. Sócrates, quando o Magrão desembarcou no Parque São Jorge, e depois dos primeiros insucessos, período em que a Fiel mais prejudicava o time do que o ajudava, ele me confidenciou que iria ensinar a torcida a torcer. E, no campo, além de suas jogadas mágicas, regia a galera, pedindo calma quando esta se impunha, ou entusiasmo quando era hora de o jogo pegar fogo.

E, por falar em Corinthians, há uma descrença generalizada em torno do ano que se aproxima em Itaquera. Uma diretoria acuada pela oposição, um técnico que era simples auxiliar até outro dia e um elenco que se revelou incapaz ao menos de levar o então campeão brasileiro a uma vaga da Libertadores.

Já embarquei nessa onda, confesso. Mas, pensando bem, esse elenco alvinegro não é tão ruim assim, não, meu caro. Tem lá um grupo de jogadores que, se jogarem juntos o que sabem, podem muito bem virar esse jogo das expectativas.

Não são meras palavras de consolo ou de esperança para a Fiel, não. é fato: se Carille conseguir extrair o melhor de Camacho, Giovanni Augusto, Guilherme, Marquinhos Gabriel e Marlone, com um Jô mais centrado lá na área, muita gente vai ficar surpresa, creia.

 

2 comentários

  1. 2016 foi o ano que nunca existiu e passará para sempre como uma lacuna em branco no nosso calendário. Os vergonhosos 7 x 1 de 2014 trouxeram consigo além da catastrófica derrota, um tsunami de fatos deletérios para o nosso país. Saímos de um estado de euforia onde tudo parecia se encaminhar para anos de prosperidade para uma terra arrasada só comparável a uma tragédia da magnitude semelhante ao fenômeno acima citado. 2016 nunca existiu, precisamos re-começar a contagem, pelos ventos que continuam soprando há claras evidências que o maremoto irá continuar. O povo como náufrago tenta sobreviver a qualquer custo. A primeira onda já fez milhares de vítimas e a previsão é de que milhões ainda sentirão os seus efeitos. Há exceções claro. Essas exceções são daqueles que antecipadamente receberam o sinal de alerta, planejaram cuidadosamente as suas células de sobrevivência e a dos seus pares e covardemente deixaram o povo morrer na praia sem saber o que lhes aguardava. Resta, pois, esperar um milagre, que as nuvens se dissipem, as águas turvas recuem, o sol volte a brilhar e apareça um, somente um homem de verdade para reconduzir esse barco chamado Brasil a seu destino de grande nação.

  2. Pelo menos a seleção está em boas mãos ! Tite,ídolo de mestre João Saldinha,é o melhor do mundo ! Já o técnico do Barcelona, José Guardiola vem patinando nos múltiplos textos ! Que urro, hein !

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