Clássico carioca dá samba

Foto: Montagem sobre foto de Gilvan de Souza/Divulgação e Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Foto: Montagem sobre fotos de Gilvan de Souza/Divulgação e Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Tirei o domingo para descansar

Mas não descansei (Que louco fui eu!)

Regressei do futebol

Todo queimado de sol

O Flamengo perdeu  (pro Botafogo)

Amanhã vou trabalhar

Meu patrão é vascaíno e de mim vai zombar.

O antológico samba do rubro-negro Wilson Batista, gravado pelo paulistano da Barra Funda Vassourinha nos anos 30, reflete um momento da história do futebol carioca, quando era costume dizer-se ser o Mengo freguês do Bota, magia que se desfez depois da era Zico.

E neste sábado, Mengo e Bota abrem uma rodada de fogo na reta final do Brasileirão, em condições de igualdade, embora O Mais Querido esteja três degraus acima do rival na tabela do campeonato. Igualdade, porque ambos empreenderam um vertiginosa ascensão neste segundo turno do Brasileirão.

O Mengo saiu da metade da tabela para alcançar a vice-liderança e fustigar o líder Palmeiras na disputa pelo título. E o Glorioso, então, nem se fala: partiu da rabeira para a zona da Libertadores, assim, ó, num vap-vupt!

Outra coisa em comum: os dois são dirigidos por interinos que se revelaram bons de bola no andar da carruagem – os articulados Zé Ricardo e Jair Ventura.

No Flamengo, isso não é novidade. Basta lembrar os casos clássicos de Carlinhos Violino, Andrade e Jaime de Almeida. Pra não falar no mítico Flávio Costa, que, na época do samba de abertura, de auxiliar do austro-húngaro Dori Kruschner, o mensageiro do WM no Brasil, assumiu a titularidade para se consagrar como inventor do sistema Diagonal e reinar por anos e anos na Seleção Brasileira e no Vasco.

No Botafogo, porém, até onde esta gasta memória me ajuda, o grande salto nessa área da improvisação foi ter transformado em técnico o boa-vida e jornalista João Saldanha, de tantas glorias alvinegras e até da Seleção Brasileira.

Mas, lembranças à parte, o que esperar deste clássico de sábado, agora?

O Fla está melhor situado na tabela e tem alguns craques bem mais rodados internacionalmente do que o Botafogo. Exemplos: Diego e Guerrero, pra resumir, graças à judiciosa administração de sua atual diretoria, que, tudo indica, botou as finanças em ordem na Gávea, o que lhe permitiu investimentos de vulto.

Já o Bota, sufocado por tantos anos de gestões irresponsáveis, está com as calças na mão e teve de recorrer aos seus garotos e alguns nomes que saindo do quase anonimato para a luz, como Camilo, vêm praticando um futebol muito interessante e eficaz.

Do ponto de vista emocional, a bola está aos pés do Glorioso, que nada tem a perder, enquanto o adversário, declinante nas últimas rodadas, dá a sensação de que paga o peso da súbita ascensão e, agora, da necessidade de virar o jogo diante do Palmeiras, na luta pelo título.

Sei, não. Mas há uma Estrela Solitária brilhando no horizonte da tarde perdida do velho sambista, que teria, nesse caso, um consolo – seu patrão vascaíno, nestas alturas da Série B, não tem como dele zombar.

 

 

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