O amigo haverá de matutar que isso é coisa de velho. Pode ser, mesmo porque, pelo jeito, nasci velho.
Não sei por que, desde menino, sempre curti a estética de um passado que não cheguei a viver, seja na música, no cinema, no futebol, nas artes em geral, na literatura, o passado, mais idealizado do que vivido, sempre me chamou. Sobretudo as três primeiras décadas do século passado.
Gostava de ficar ali na esquina da rua Costa Valente com a Coimbra, no velho Brás dos italianos (e judeus, espanhóis, árabes, lusos e uns poucos negros), em frente ao bar da Dona Lili, ouvindo os antigos contarem histórias de Fried, Neco, Heitor e outros heróis de um passado que eu revivia apenas na imaginação.
No cinema, divertiam-me as amargas peripécias de Chaplin e as finas trapalhadas dos Irmãos Marx. No rádio, preferia ouvir os velhos sambas e as canções das décadas anteriores às minhas: Orlando Silva, Cyro Monteiro, Sílvio Caldas, Noel, Gardel, Gigli etc.
Devorava Eça e Machado com o mesmo ardor que acompanhava as aventuras do Homem-Morcego (o Batman eterno) e o Super-Homem (o Superman, a partir da colonização incontrolável) dos Gibís do meu tempo.
Aliás, esta é a minha dualidade: um pé lá e outro cá, sempre sob o comando da máxima segundo a qual quem desconhece o passado, não entende o presente e é incapaz de prever o futuro.

Estou variando nessas filosofices porque é novembro, mês do meu aniversário, o que me remete ao longínquo 1949, quando de presente de aniversário pedi ao meu pai que me levasse pela primeira vez ao Pacaembu, que conhecia só por fotografias nos jornais e pelo som mágico do rádio, para assistir ao Majestoso, o clássico entre Corinthians e São Paulo, que um mês depois encerraria o Campeonato Paulista.
Bem que, naquele domingo, o velho refugou. Não gostava de futebol, que considerava uma fábrica de fanatismo, o pior de todos os males humanos. Mas, Dona Irene, minha mãe, foi enfática:
– Alberto! Você prometeu pro menino e vai cumprir!
A contragosto, meu pai nos levou – eu e meu irmão Cyro – ao jogo da faixa, pois o Tricolor já era campeão e o Corinthians, que estava na fila há oito anos começava a armar o esquadrão que lhe daria o título dois anos depois.
Foi a única vez em que vi Leônidas da Silva, o Pelé de sua geração, em campo, ao vivo. Ele fez um gol, de cabeça. E lá estavam Cláudio Cristóvan de Pinho, Luisinho e Idário, estreando no Corinthians, Baltazar, o Cabecinha de Ouro, a linha média histórica do Tricolor – Bauer, Rui Campos e Noronha -, Friaça, Teixeirinha, Remo, Mauro Ramos de Oliveira, enfim, uma galeria de craques incomparáveis.
O jogo terminou 3 a 3 e, claro, ficou impregnado na minha memória para o sempre que nos resta – tão breve e efêmero!
Bem, vida que segue, como diria o Rosa, chegamos, seis décadas e picos depois, a mais um Majestoso neste sábado. Não tão promissor, diria.
O São Paulo tenta se afastar de vez da zona da degola, e o Corinthians busca se reabilitar num torneio em que começou a declinar no segundo turno, depois do segundo desmanche, de tal forma que passou a correr o risco não apenas de ficar de fora do título que lhe pertence como até da zona da Libertadores.
O Timão, ainda sem um centroavante típico, com Guilherme fazendo esse papel da maneira que lhe é peculiar, saindo da área e participando da armação, tem a prerrogativa de manter a bola sob seu domínio a maior parte do tempo, fruto de sua formação de meio de campo, repleto de meias de certa habilidade. O São Paulo, por sua vez, espera chegar à meta alvinegra de maneira mais veloz, caso Cueva consiga abastecer devidamente tanto Neres quanto Chavez (hummm…).
Mas, cá entre nós, dada à qualidade dos dois times, é muito provável que tenhamos um jogo pegado, entrecortado de faltinhas daqui e de lá, algo próximo da vigília que antecede o sono.
Que saudade das nossas tardes sãopaulinas com Careca, Raí,Pita,Muller,Palhinha e o cracaço pé quente Careca,maior 9 de todos os tempos.Com eles, não tinha sofrimento ! Como não tem jeito,só posso dizer : Toca no Chavez ! Faça alguma coisa, mestre João Saldinha !
Eis o critério jampeado,malampeado e distrifigado ! Falei duas vezes o nome de Careca, mais isso não é erro é o acerto dos aberos internaciorrais de tenis da Aisbralia !
Boré era um goleirinho baixinho. Só jogava porque era dono do time. Nunca me deu uma chance. Certa vez perguntei a ele: Boré como vai entrar o time hoje? Ele começou pela defesa me olhou fundo e disse_ Eu, Cagado e Tonho meu irmão…… Mais uma vez não iria jogar. sai de fininho e deixei Boré dando risada.
Bonito seu comentario Alberto, principalmente para quem participou como eu na mesma epoca. Faltam uns minutos para comecar o jogo e gostaria de dizer que jamais um majestoso dara sono,
assistir esse jogo precisa ter nervos. Quanto ao seu blog da “injustica” eu acho que a palavra mais
adequada seria castigo. O que aconteceu nesse jogo faz parte do folklore do futebol e e’ mais um
ingrediente que da beleza a esse esporte. Como diria Nelson Rodriguez o imponderavel de Almeida entrou em campo e o Sampa nao conseguiu um misero golzinho. Ja vi esse filme antes: o maracanasso de 1950, a derrota da Hungria para a Alemanha, etc. Esse ultimo entao eu considero o
maior desastre, i.e. castigo que houve no futebol. Enfim voce foi muito feliz nesse blog, cheio de referencias empolgantes (isso e’ o futebol, EMPOLGANTE, mesmo com 0x0) Abracos.
PS Voce esta de acordo que o Rui Campos foi um dos 5 melhores meio de campo de todos os tempos?
bem ja vai comecar o majestoso e espero que o Ricardo nao abra a avenida spaulo …
Helena !!! quem acorda ás 4,00 h vai ter muito sono !!!
Uniforme lindo do Tricolor no velho Pacaembu…Pacards e Chevrolets nas imediações, fora as porpetas da Nona mais tarde.