
Curiosa a rodada deste domingo, rabo da de quarta-feira, em que o líder e o vice do Brasileirão jogam fora de casa com os sinais trocados. O paulista Palmeiras vai a Londrina pegar o mineiro América, que abriu mão do mando de campo em troca de uma graninha extra (sim, porque o estádio no Paraná estará lotado de palestrinos, claro). E o carioca Flamengo, mais uma vez, vem ao Pacaembu, para receber (?) o Santinha. Mas, no Pacaembu, o Fla já provou estar em casa.
Outro ponto em comum entre Verdão e Mengo é que ambos enfrentam dois lanterninhas do campeonato, o que sugere, na véspera, a manutenção da atual conjuntura da tabela de classificação.
Uma surpreendente derrota de Fla ou Palmeiras, com vitória do outro, por certo, abalará definitivamente o perdedor na corrida final pelo título, transcurso durante o qual o emocional passa a valer o dobro da técnica.
Assim, quem perder, corre sério risco de entrar em parafuso e entregar a rapadura para o outro.
Pero, no creo en brujas, caríssimo amigo meu, embora neste fim de tarde de sabah, o que é aquilo que vejo pela janela rasgar o horizonte indiscernível? Será o perfil de uma vassoura montada por sombria figura de chapéu em forma de cone? Parece, mas deve ser pura ilusão de ótica.

NA LINHA DO GOL
Nesta celebração dos cem anos da Vila, durante o amistoso entre Santos e Benfica, vão se sucedendo em forma de rostos, lances e histórias ouvidas dos mais velhos desde a mais tenra infância. Por exemplo: as figuras de Arakén Patuska e de Feitiço, dois mitos caiçaras que conheci já bem coroas. Arakén, como cronista esportivo, com quem cruzava nas tribunas de imprensa do Pacaembu e do Morumbi, em dias de jogos. Feitiço, como professor de uma escolinha de futebol ali no Planalto Paulista, frequentado por meu filho Vinicius que sonhava ser o novo Valdir Perez quando crescesse. Não cheguei, claro, a vê-los em campo, mas ouvi tantas descrições de antigas testemunhas, que só capaz de vê-los em ação na minha imaginação: Arakén, refinado meia-esquerda, canhoto e artilheiro implacável; Feitiço, o centroavante forte e decisivo com cara de cacique indígena, que certa vez chegou a contrariar o presidente da República com a célebre resposta sobre a ordem recebida da tribuna para não retirar o Brasil de campo num jogo contra a Argentina: “Ele manda lá em cima; aqui embaixo, mandou eu!” E o Brasil se foi, em protesto.
O sucessor de Arakén, na Vila, foi, sem dúvida Antoninho Fernandes. E esse vi em campo muitas vezes, inclusive com a camisa da Seleção Paulista nos anos 50 AP (Antes de Pelé): baixinho, de bigode aparado, apesar de gordinho, dinâmico, de passe exato, muito descortino e forte liderança. Distribuía bolas surpreendentes em campo como quem está a passeio no parque.
Na sua sucessão, veio aquele maravilhoso Santos bicampeão paulista de 55/56: Manga ou Veludo; Hélvio e Ivã; Ramiro Formiga e Zito ou Urubatão; Tite, Negri, depois Jair Rosa Pinto, Álvaro (Pagão e Del Vecchio), Vasconcelos e Pepe. A seguir, os indescritíveis times da Era Pelé, com Gilmar, Carlos Alberto, Mauro Ramos de Oliveira, Orlando Peçanha, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Zito, Clodoaldo, Dorval, Lima, Coutinho, Abel, Edu, sei lá quantos mais.
Mais tarde, vieram Pita, Juari, João Paulo, o Papinha da Vila, seguidos por Giovanni, de futebol tão elegante quanto eficiente, antecessor de Robinho e Diego que, por sua vez, precederam a Neymar e Ganso.Todos esses já ao alcance do olhar dos amigos mais jovens. Enfim, cem anos de um alçapão que não só engole os adversários, temporada após temporada, mas que expele com carinho legiões de Meninos da Vila que ´são gerados só para nos encantar e divertir.
Hoje assisti alguns jogos das eliminatórias. fiquei impressionado com o jogo Polônia x Dinamarca e Alemanha e República Tcheca a conclusão a que cheguei é que Tite pode começar a por as barbinhas de molho e se preparar para ter desagradáveis surpresas na copa, caso não convoque jogadores com mais habilidade para esse meio de campo ridículo. Esses times apresentam um futebol veloz, de toque rápido com um conjunto impressionante e um nível técnico individual muito alto. Os jogadores do meio de campo são criativos e dificilmente erram um passe, comparando com o meio de campo da seleção..
Para completar a tarde esportiva assisti ao jogo da série B Oeste x Ceará e fiquei muito surpreendido com o futebol compacto, rápido e de toque de bola do Oeste. Guardadas as devidas proporções o Oeste joga à la Holanda de 74, mostrando que mesmo sem figurinhas carimbadas e com jogadores quase desconhecidos, Fernando Diniz consegue mostrar um futebol muito interessante e diferente de se ver. Junto com Micale da seleção Olímpica, Fernando Diniz sem dúvidas é a grande novidade no deserto de técnicos criativos e inovadores que é o nosso atual futebol. O atraso do sistema de jogo de Tite em relação ao de Micale e Fernando Diniz pode ser comparado aquele cara que tenta fazer com uma máquina elétrica de última geração o que um computador desses do mercado é capaz. Ou seja, a tentativa de Tite competir com eles é uma corrida inglória.
Respondendo,respeitosamente ao artigo do sr.João Sardinha, intitulado como o sopro do mandacari, eu lhe digo,mestre João Saldinha; Eu usei subterfugios,Tikiri ! Tikiri ! Tikiri !