
A opção por Giuliano no lugar de Paulinho soa como um avanço de Tite no sentido da ruptura com o dogma dos dois volantes que ata nosso futebol há muito tempo. Afinal, se Paulinho é um volante típico, de jogo verticalizado, tipo samba de uma nota só, o meia Giuliano amplifica o ato de criação no meio de campo.
Ainda mais jogando ao lado de outro meia de armação, Renato Augusto, que também sabe marcar, e um passo à frente de Fernandinho, este, sim, um volante volátil que, sob o comando de Guardiola, no City, renasceu. E renasceu justamente nessa função, a de único volante cercado por dois meias.
Com tão pouco tempo de ajuste, é difícil prever o sucesso imediato dessa formação, no confronto com a Bolívia, nesta quinta, em Natal. Torço pra que dê certo logo de cara, pois o futebol brasileiro precisa de um modelo mais arejado como esse para sair do atraso técnico e tático em que vive há tanto tempo. Justamente para que Tite não dê um passo atrás diante da Venezuela, com a volta de Paulinho. E, veja o amigo que não estou aqui medindo a qualidade técnica deste ou daquele, mas, sim, o estilo de jogo de cada um.
A outra mudança é a entrada de P. Coutinho no lugar de Willian. São dois meias de habilidade, ambos. Mas, com características distintas: se Willian habitou-se a jogar aberto pela direita, Coutinho prefere mais o meio, tendendo à esquerda, de onde corta pra dentro, a fim de disparar seus chutes destros e adestrados.
Willian é mais um preparador de jogadas com dedicado senso de marcação pelo seu lado. Já P. Coutinho prefere jogar mais à frente, com pouca recuperação de bola, embora tenha melhorado nesse quesito jogando pelo Liverpool, onde é um destaque.
Não sei ainda como Tite pretende resolver essa situação. Se simplesmente vai manter Coutinho na direita, a exemplo de Willian, ou se irá liberá-lo para compor um rodízio com Neymar e Gabriel Jesus lá na frente, o que seria bem interessante, não fosse o fato de que essa movimentação exige um maior treinamento, o que não houve.
De qualquer forma, valem as duas tentativas.
Nem quero falar sobre o que penso de Tite como técnico e seu papo maneiro, nem de Fernandinho aquele já enterrou a seleção por duas vezes e continua firme na sua marcha para um novo vexame ou de Guliano um ciscador à la Willian sem nenhum histórico que o habilite na seleção. Quero apenas dizer o seguinte: para jogar com esse arremedo de seleção que é a Bolívia, até o time do Íbis do Recife ganharia fácil tamanha é a sua fragilidade técnica ainda por cima jogando em Manaus. Qual será a preocupação de Tite com a Bolívia para escalar Fernandinho? Quantas horas de sono terá Tite perdido analisando esse terror chamado Bolívia? Qual a mágica de sua tática que ele empregará? Se Tite fosse um cara que pensasse o Brasil para 2018 ele aproveitaria esse jogo treino para testar mais uma vez Felipe Anderson, Luan, Thiago Maia, Willian Aarão, Rafinha, Marquinhos Gabriel jogadores de alto nível técnico que sem dúvidas são ótimos tecnicamente. Mais não ficamos aqui discutindo Paulinho, Fernandinho e outros inhos perdedores inveterados.