
O Corinthians, depois de um breve mas profícuo período de estabilidade política e administrativa, voltou a entrar em parafuso, como nos velhos e turbulentos tempos passados: demite técnico recém-chegado, depois de uma derrota para o rival Palmeiras, anuncia seu substituto até o fim do ano e já fala em abreviar esse tempo, de olho em Roger Machado e Luxemburgo, um jovem treinador muito promissor e um veterano glorioso em baixa.
Nem se trata de saber se este é melhor do que aquele, coisas do tipo, mesmo porque esse comportamento errático da diretoria corintiana não dá garantia alguma a nenhum dos dois. Menos ainda a uma programação racional consciente e consistente para a próxima temporada, já que esta, se ainda não foi um fracasso, deixou de ser animadora em termos de conquista de título ou coisa que o valha, embora haja sempre chance de chegar à Libertadores, seja pela via do Brasileirão, seja pelo atalho da Copa do Brasil.
É o que acontece com qualquer clube cuja diretoria vai ao toque do batuque da torcida, essa borboleta sem rumo, movida pela paixão irracional, portanto volúvel.
NA LINHA DO GOL
Uma das poucas coisas boas da velhice é ter-me ofertado a graça de ver em ação aquele timaço da Lusa dos anos 50, que recito, assim, ó, de cor: Muca; Nena e Noronha; Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci; Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Simão. Amigo, você não imagina que espetáculo era esse time, campeão de um Rio-São Paulo (o Brasileirão da época) e que só não levantou nenhum título paulista da época porque a juizada metia a mão nos rubro-verdes descaradamente. Em seguida, veio um desfile de craques, como Rúbens, o Dr. Rúbis do Fla, de breve passagem, Ipojucã, Edmur, Félix, Raul Klein, Ocimar, Dida, Henrique, o craque argentino Pontoni, Ortega, Marinho Peres, Eneas, Leivinha,Dicá, Basílio, Denner, os dois Zés Marias, Zé Roberto, sei lá quantos mais dos que aqui estão listados não necessariamente por ordem de entrada em cena.
Pra quem, como eu, acompanhou a maravilhosa saga da Lusa vê-la nessa draga em que se encontra é uma punhalada no coração. Quem sabe a proposta de fusão do Audax, clube obviamente mais bem dirigido do que a Lusa dos últimos tempos, seja uma saída. Isso, se a turma do Canindé, prestes a ser sucateado, diga-se, não se aferrar aos conceitos de propriedade hereditária que levou a Portuguesa à humilhação absoluta, claro.
Lembro como se fosse hoje quando meu saudoso amigo Raúl Tabajara, grande narrador esportivo da Record, com quem pude trabalhar no Galo da Várzea por um curto período, torcedor e conselheiro da Lusa, lá pelos anos 60, propunha a mudança de nome do clube, de Portuguesa para Bandeirantes. Tabajara já então pressentia a tragédia futura. Segundo ele, era preciso arejar o clube, retirá-lo da clausura monástica de um clube exclusivamente recluso a uma das tantas colonias estrangeiras que compunham o tecido social de São Paulo. Foi rechaçado, e deu no que deu, ao cabo de mais algumas décadas.
Belo texto sobre a Portuguesa que um dia juntamente com o Juventus foi considerado o segundo time de todos nós. Hoje, depois que os seus dirigentes trocaram a vaga dela por uns trocados não sinto mais nenhum remorso e nem comiseração em vê-la no lugar que fez por merecer. Só falta incluir na sua lista de craques Enéas Camargo que me obrigou como são-paulino a ir ao Morumbi torcer contra o Santos naquela final lambuzada pela matemática do Sr. Armando Nunes da Castanheira Rosa Marques.
Velhos e inesquecíveis tempos, acabara de chegar à cidade aos meus 16 anos São Paulo era maravilhosa havia o Jornal da Tarde, a Casa do Pão de Queijo ali no final da Benjamin Constant as Casas José Silva.O Mappin, as lojas Mesbla A casa de Sucos com sandwiche de linguiça na Ruas São Bento com Patriarca, o Curso Objetvo do professor Dráusio Varella, os cines liberty e Majestic. O famoso ônibus Circular e tantas outras maravilhosas atrações que só Sampa podia oferecer. Falando do Desafio ao Galo me lembro quando passava em frente onde era a CMTC via o campo completamente cheio e bem ao lado o ginásio, palco de grandes lutas de boxe quando o grande Newton “movediço” Campos era o presidente da FPB. Quem viu viu, quem não viu, ficou a ver navios. E também como você estava naquela tarde no Morumbi e sou testemunho da lambança de Armando marques.
Recordar é viver. Excelente, Sr.Alberto Helena Jr. como a maioria de seus textos. Como santista de nascimento, de time de futebol e morador da cidade, não posso deixar de dizer que na minha infância, nos meus 8, 9 anos odiava a Portuguesa. Ganhávamos alguns jogos, mas, também tomávamos uns banhos de bola que fazia meu falecido pai comentar: “é a asa negra do Santos”. Lembram-se dos 8 a 0? e ainda fomos campeões paulista!!! Mas, por mais paradoxo que seja, meu segundo time de botão era a Portuguesa, feito com tampinhas de brilhantina e de relógios, com as caras de 10 daqueles listados por V.Sa. (meu titular era o Edmur). Formaram timaços; uma pena hoje em dia! O Sr.João Sardinha me fez recordar meu início de carreira profissional na maravilhosa São Paulo dos meados dos anos 60 e início dos anos 70. Ainda é maravilhosa pelas oportunidades e acolhimento, só não concorda quem não quer.
Algumas coisas são repetidas tantas vezes que viram verdades aceitas pela maioria. Me desculpe prezado blogueiro mas a Portuguesa nunca foi segundo time dos torcedores de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Portuguesa foi grande sim mas sempre teve atitudes hostis contra seus rivais de São Paulo. Preferia vender ou emprestar seus jogadores para clubes do Rio mesmo com prejuízo. O caso típico foi com Dener. Recusou ofertas de todos os clubes paulistas e emprestou a troco de nada para o Vasco e deu no que deu.
Nos anos sessenta não era hábito a troca de camisas entre jogadores ao final das partidas,e em um jogo que a Portuguesa venceu o Santos por 3×2,Pelé deu a Ivair a sua camisa nº 10 e o apelidou de “Príncipe”.Ivair fêz os 3 gols pela Lusa.Nas locuções televisivas Raul Tabajara passou a chamar Ivair de “o Príncipe”.Velhos tempos em
que a Portuguesa era o maior fornecedor de craques para o trio de ferro e demais clubes do Brasil.
Durante muito tempo foi o segundo time de corinthianos,palmeirenses,santistas e tricolores.Tabajara se foi em 1978 e com ele sua visão que poderia ter mudado o curso da história deste clube.
A entrevista de André Kfouri com Tite na ESPN foi uma coisa inacreditável, na realidade um papo entre compadres. Kfouri mais parecia Gerson servindo Jairzinho para o chute final na cara do gol. Nessa entrevista, Tite transforma Casemiro numa espécie de Harry Potter capaz de ler a mente das pessoas e de proezas que só o personagem seriam capaz de realizar. Eu fico perguntando: O que levaria um repórter a tentar transformar Telepatia na Tia de Pelé ou ainda Um bife à milanesa com um bife ali na mesa?