Fla falha na rodada de líderes

Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Eleven
Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Eleven

O Leão devorou o Urubu em Recife, no jogo em que o único do grupo dos sete mais bem classificados no Brasileirão não enfrentava um dos seus pares nesta rodada de fim de semana: 1 a 0, gol de Edmilson, em jogada brilhante de Rogério, aquele que Bauza preteria em favor de Centurión e que, ao lado de Rithely, foi o grande estaque dessa vitória.

E olhe que não foi assim, ó: o Flamengo dominando e tal e cousa e lousa e o Sport cavando seu golzinho num raro contragolpe. Nada disso, o Sport jogou bem, assim como o Flamengo buscou o empate o tempo todo, num jogo muito agradável de se ver., sobretudo no segundo período.

Dependendo dos demais resultados da rodada, o Mengão pode cair fora do G-4. Temporariamente, claro, pois esse campeonato se prenuncia uma corrida sobre o fio da navalha neste segundo turno que se inicia.

Veja só o jogo de abertura do domingo, entre Grêmio e Corinthians, em Porto Alegre.

O Grêmio leva a vantagem de jogar em casa, mas, sob o comando de Cristóvão – aquele que a torcida brucutu chama de burro -, o Timão tem melhor aproveitamento fora de casa do que nos tempos áureos de Tite.

Além do mais, se o Corinthians é um time equilibrado no que tange ao elenco (titulares e reservas se equivalem), embora não seja lá um timaço, o Tricolor gaúcho se ressente demais das ausências de Luan e Wallace, dois titulares insubstituíveis. Logo, deverá ser elas por elas.

À tarde, o Peixe recebe na Vila o Galo, jogo de se ver com o champagne gelando ao lado do caviar, pois são dois times que gostam de jogar bola no seu sentido mais literal. E aqui entra um tempero adicional: a presença de Robinho com a camisa cario, ele que nasceu e cresceu na Vila, e que ocupa um nicho próprio na galeria histórica do Santos.

Claro que os imbecis de praxe vão hostilizar o craque. Isso faz parte do indigente repertório das atuais torcidas de futebol, um bando de marmanjos que agem e reagem feito comadres de cortiço – ah, ele disse isso, disse aquilo, mimimi, tititi…

O que Robinho fez pelo Santos, em 2002 e, depois, em 2010, é pra ser recebido com aplausos e tapete vermelho na Vila, onde, na última passagem, foi vilipendiado pelo simples fato de que o clube não cumpriu com suas obrigações em relação ao craque.

Bem, vamos em frente, quando a noite do domingo se anuncia e o Palmeiras enfrenta o Furacão, lá na Baixada.

Líder, campeão do primeiro turno, o Verdão enfrenta um dos que merecem estar no G-4, zona que os paranaenses rondam há algum tempo.

Mas, pelo visto na última exibição, o Palmeiras recuperou o controle dos nervos. E, bola, tem para voltar com, pelo menos, a liderança assegurada.

Por fim, o São Paulo, que está longe desses refinamentos, pega em casa o rabeira Botafogo, de quem acaba de roubar o treinador, sem o mínimo daquela ética que marcou o comportamento desse clube em outros tempos.

Isso, claro, deixa Ricardo Gomes metido em saia justa no jogo deste domingo, claro.

Mesmo porque Ricardo é um moço civilizado, com longa vivência na França, como jogador extraordinário que foi e técnico competente, embora convencional, que já passou pelo Morumbi e foi dispensado justamente por sua sobriedade, pois, entre outras coisas, levou o time a uma semifinal, nem mais nem menos do que a proeza com que se timbra a passagem de Bauza por lá.

E já se ouvem os ruídos ressentidos dos torcedores tricolores nas redes sociais.

Sei lá. Mas Ricardo, há pouco tempo, quando cumpria belo papel à frente do Vasco, teve um AVC, do qual se recuperou a ponto de aceitar o convite do Botafogo, onde também executava bom trabalho, apesar dos tantos problemas estruturais da Estrela Solitária.

Por isso mesmo, lá, ele podia trabalhar com um nível de tranquilidade incomum. Obviamente, não será o mesmo no Morumbi, onde ainda viceja a soberba, apesar da recente miséria comportamental do clube.

É esperar pra ver.

 

 

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