Tricolor até pode. Mas, como?

(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Olhando assim, sem nenhum envolvimento emocional, não seria nenhuma coisa do outro mundo o Tricolor construir um placar de 2 a 0 em Medellin, levando a decisão para os pênaltis. E aí, seja lá o que Deus quiser.

A questão, porém, não é essa. A questão gira em torno da capacidade de o Tricolor fazer dois gols, o que foge ao seu estilo, embora tenha de volta ao time o artilheiro Calleri, que pouco contribui para o jogo coletivo, mas sabe meter a bola nas redes.

Além do mais, do outro lado está o Nacional, simplesmente o time de melhor desempenho até agora na Libertadores, dono de um jogo leve e agudo, com a bola devidamente trabalhada em passes e envolvimento, embora não seja nenhum bicho-papão. E que também tem um goleador emérito, Borja, autor dos dois tentos no jogo do Morumbi.

Como, então, vencer essa dupla dificuldade, ainda mais sem Maicon, Ganso e Kelvin, três titulares que têm se constituído nos principais protagonistas do time?

A lógica mais elementar aconselha ao São Paulo atacar, do início ao fim, na esperança de que os colombianos, contidos pelo placar já favorável, prefiram jogar mais contra o tempo do que contra o adversário em si.

Para tanto, o técnico Bauza, a contragosto, teria de escalar um time com essas características: um volante apenas, dois meias de articulação e chegada e três atacantes (dois pontas e Calleri no meio). Ah, sim, avançar sua linha de defesa para aplicar aquela tão conhecida marcação alta, no campo do adversário. Sufocá-lo, enfim, até atingir o placar desejado.

Mas, terá o Tricolor jogadores com tais características em seu elenco?

Não, não tem. Caberia ao técnico praticar malabarismos para armar a equipe sob tal conceito de jogo.

Até que o ataque poderia ser formado pelo menino Luís Araújo pela direita, embora canhoto, trocando de lado com Michel Bastos na esquerda. Mas, e os meias? Cadê os meias? A rigor, em todo elenco, o São Paulo só dispõe de dois jogadores com tais características definidas: Ganso e Lucas Fernandes, ambos na enfermaria do clube.

Improvisar o centroavante Ytalo por ali tem se revelado um equívoco sempre que esse truque foi tentado.

E, sem meias, caso o técnico opte pela dupla Calleri e Kardec, o ataque ficará descalço de vez, pois quando a bola chegar lá, eventualmente, voltará de pronto. Imprevidência e incompetência da diretoria e da comissão técnica na montagem do elenco para esta temporada, claro.

Dessa forma, só restará ao treinador armar seu meio de campo com aqueles tantos volantes que lhe são peculiares e rezar para que, numa bola parada, num contragolpe mortal, numa falha grotesca da defesa adversária, enfim, o São Paulo sobreviva na Libertadores ao final da partida desta quarta-feira.

Mesmo porque se a lógica predomina em torneios de longo prazo, todos contra todos, ida e volta, no mata-mata, em uma só partida, ela acaba cedendo seu cetro ao acaso. Nem sempre, nem sempre, mas às vezes, né? Quem sabe não será o caso?

NA LINHA DO GOL

O momento mais edificante da decisão da Eurocopa não foi o ídolo e craque inexcedível Cristiano Ronaldo, lesionado, à beira do gramado, incentivando freneticamente seus companheiros em campo. Foi protagonizado, isso, sim, por outro portuguesinho, um menino de 10 anos de idade, que, comovido pelo choro de um adulto francês, foi consolá-lo, abraçando-o e lhe dizendo: “Não sofra. É apenas um jogo de futebol. E, afinal, vice-campeão não é tão ruim assim”. Soa como uma semente de esperança caindo no poço sombrio do futuro da humanidade.

 

Um comentário

  1. Pois é!? marcação alta!? Para tentar ganhar. Mas, com um time que nem teve um auge físico, e que está vendo todos os seus jogadores irem para o DP. Falha pavorosa de gestão. Elenco pequeno e preparação física ruim.
    É improvável, não impossível.

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