Metemos a mão em nós mesmos

Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press
Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press

Muito antes dos fatídicos 7 a 1 para a Alemanha, já havia um clamor generalizado contra os rumos do nosso futebol brasileiro, como um  todo: calendário sufocante, jogadores de qualidade técnica mediana, técnicos defasados, clubes altamente deficitários, corrupção campeando por todos os lados e tal e cousa e lousa e maripousa.

Logo, a desclassificação prematura do Brasil na Copa América, ao perder para o Peru por 1 a 0, gol de mão de Rui Diaz, não chega a surpreender. Afinal, o Brasil, que já foi o país do futebol, pentacampeão do mundo e outros bichos, caiu pelas tabelas no ranking da Fifa, é sexto colocado nas Eliminatórias da Copa do Mundo e, agora, sequer consegue passar pela primeira fase da Copa América diante do Peru, time de segunda classe. É demais.

A insistência em reconvocar Dunga, um treinador sem o mínimo preparo técnico e intelectual para o ofício, foi apenas mais um equívoco de uma CBF desmoralizada e irresponsável, que se sustenta Deus sabe lá como sob o foco permanente de todas as suspeições possíveis.

A imagem de Dunga à beira do campo, enquanto vaca se dirigia solenemente para o brejo, era exatamente a mesma de Felipão diante dos 7 a 1 para a Alemanha: total perplexidade, pra dizer o mínimo.

É verdade que faltou aos jogadores a indispensável força interior para mudar o cenário sombrio do jogo, que tiveram a seus pés no primeiro tempo e que deixaram escapar no segundo.

Mas, de qualquer forma, esse é o resultado final de toda uma conjunção de erros que se acumulam desde lá de cima até aqui embaixo.

Situação que, espiando o panorama brasileiro, não vislumbro melhoras significativas nem mesmo a médio prazo.

Resumindo, se meteram a mão no nosso time nesta noite, nós tratamos de meter a mão em nós mesmos há muitas e muitas luas.

22 comentários

  1. Helena. Não se faz nada desde os 7 a 1. Pior é o nível dos nossos jogadores. Continuamos tendo um só jogador, que é cai cai. Não é melhor ficar de fora da próxima Copa para evitar um vexame maior que o de 1966.Abraços sou seu fã desde quando o futebol brasileiro era o melhor do mundo. Isso faz muito tempo…

    1. Você tem razão ao lembrar o vexame de 1966. Apenas que o problema daquela vez foi que tínhamos muito time (levamos 45 jogadores de férias para a Inglaterra, porque o técnico não sabia que time escalar).
      Agora o problema é que não temos time algum. Na verdade, para o Brasil começar a ganhar torneios novamente, temos que começar com um triangular entre Brasil, Haiti e Ilhas Samoa. Aí (atenção, com boa preparação) temos chance.

  2. É preciso que haja pessoas capazes de conduzir o futebol deste país, com mais responsabilidade. A seleção é património nacional, é um esporte que está em decadência, por culpa dos dirigentes que só pensam em enriquecer e se esquecem dessa paixão enorme do povo pelo futebol. Comparo o atual momento do futebol brasileiro com a situação política e economica que parece extremamente dificil e estarrecedora.

  3. Palavras perfeitas, o antigo pais do futebol que é comandado por pessoas que não podem sair do pais, pois aqui é bagunçado e lá fora á ordem é rígida, não conseguiu se classificar num grupo de futebol amador, jogadores com uma marra gigantesca, treinador nem entrevista boa nos concede, e que continue a Euro copa, que linda de assistir, quem gosta de futebol, gosto de esporte bem jogado !!!

  4. cantei essa bola inúmeras vezes nesse Blog. No comentário Tricolor Congelado previ a derrota. Essa eliminação era cristalina só os idiotas da objetividade não enxergaram. falei, repeti, com Elias e Willian não tínhmaos meio de campo. Elias invenção da mídia pró Corinthians, Willian fracassado na Copa e endeusado por aqueles com complexo de vira latas pró Chelsea. Dunga mereceu o que sempre plantou, ou seja, burrice, e prepotencia. Deixar Ganso no banco com o time perdendo o meio de campo fazendo água mostrou seu lado mesquinho.
    Culpados? Há muitos, Responsáveis, um só, a Rede Globo ,que célere já deve estar preparando o seu exército de jornalistas comprados para defender o seu status quo. Como fazem na política.

  5. Acabou um dos meus divertimentos.. assistir aos jogos da seleção de futebol… de, divertimento, na verdade, se tornou um sofrimento….. Meu filho tem 4 anos, está crescendo, que bom que temos pessoas no esporte como o Artur Zanetti, com sangue no olho, para seguir como exemplo, se desejar ser atleta!

  6. Eu acho que a CBF tem que deixar essa mafia dos tecnicos e procurar tecnicos com um futebol moderno. O Tite aprendeu um pouco do Carlo Anccelotti ( grande dos grandes , agora com o Bayer de Munich, mais até agora sem time )
    Tem que inovar, ser atrevido, dominar e atacar (sem esqueçer da defesa) o futebol moderno é duro, mais tem que atualizar.
    Gostei da idea do trangular com o Haití e ilhas Samoa !!

  7. Tenho falado aqui que o problema é a má formação de jogadores em nossas bases,não vou repetir a escrita ,mas ,a grande maioria de nossos jogadores são feito na rua ,chega aos clubes aos 17 ou 18 anos para peneira e dali os que se resolvem vão ao time profissional ,mas sem conceito de futebol , tatica ou coletividade e isto tem se agravado na seleção ,pois estes que estão não tem alma ,são frios e se esconde em jogos decisivos. Mas em uma partida que voce tem tres oportunidade de mudar o jogo ou algumas peças em campo e não faz é falta de conhecimento e medo do proprio time(elenco) e foi assim com dunga deixou Elias de centroavante ,quando e a unica vez que mexeu no time equivocou-se, pois o Ruck poderia entrar ,mas no lugar deElias e a entrada de Ganso era a cartada ,Quero saber se vamos continuar com o “projeto Dunga ” porque com certeza hoje jogamos na seleção um futebol de segunda divisão ,no cenario mundial de terceira ,se continuar não vamos na Russia .

  8. onde que dunga é tecnico de seleção,guardiola queria treinar o brasil e disse que com os jogadores que o brasil tem faria o brasil campeão do mundo,mas porque nao o colocaram??tudo no brasil é girado em torno de corrupção ,sera que guardiola iria compactuar com o roubo ,subordinação de empresarios em colocar seus jogadores afim de se valorizarem,no caso de hulk,daniel alves ,esses caras não são e nunca serão jogadores pra seleção brasileira.

  9. A coisa está feia, mas o que dói mesmo é a absoluta falta de expectativa. Não imagino que a simples mudança de treinador vá mudar alguma coisa. O problema é mais profundo….

  10. Acabaram com nosso futebol vendendo os melhores jagadores muito cedo.
    Tinha que c criar uma lei que jogador de futebol so poderia transferir para a EUROPA
    apos os 27 ANOS, ai iniciava uma nova etapa.

  11. Prezado Helena.
    Se não quiser publicar estas linhas, ao menos as considere, pondere, leia e raciocine.

    O desprezo aos estaduais liquidou o futebol brasileiro, abalando-o em suas raízes.

    Apequenou ou fechou os times interiorianos, as fábricas de jogadores.

    Muitos clubes outrora importantes, fecharam ou perderam a identidade e viraram joguetes nas mãos de empresários gananciosos,

    Em consequência, minguaram os postos de emprego e, via de consequência, cada vez mais diminui o número de praticantes de futebol no Brasil, haja vista que a perspectiva de profissionalização só diminui.

    Em suma, não existe mais quantidade para que se apure a qualidade.

    A elitização do futebol só é boa para a TV.

    Sem um futebol regional forte o futebol brasileiro está fadado, senão à falência, mas ao apequenamento e sujeição à importação de atletas de outros países.

    Estamos correndo seriíssimos riscos de desclassificação para a Copa!

    E aí vem a CBF e anuncia que os campeonatos regionais terão menos datas em 2017.

    A ressurreição dos estaduais em termos racionais servindo de degraus às divisões subsequentes é a única saída para que o futebol brasileiro se oxigene, aumente o número tanto de clubes empregadores, vivos, desenvolvidos e viçosos, tanto e quanto aumente o número de vagas que estimule os jovens a procurar no futebol uma profissão, como ocorria em nosso tempo.

    Repito: Não temos mais quantidade para tirar qualidade. Por isso o nosso futebol é mecânico e imita o europeu. Exceção feita a Neymar (seria, em nosso tempo apenas mais um craque entre tantos) não temos mais no Brasil nenhum craque na acepção exata do termo.

    Pense bem em tudo o que eu disse porque eu fui, talvez, a única voz neste país que bradou contra o apequenamento dos estaduais.

    Eu, que trabalhei como cronista em oito estados da federação (Rio e São Paulo, inclusive) sei bem o que estou falando.

    Pense sempre que os rios que perdem as nascentes viram pântanos pestilentos. O futebol brasileiro, pense nisso, perdeu as suas nascentes.

    Você é um cronista líder, de vanguarda, correto, probo, honesto (eu o conheço pessoalmente, já o entrevistei e estivemos juntos muitas vezes), capaz de iniciar um movimento de âmbito nacional que ressuscite o futebol brasileiro.

    Um grande abraço do Alcides Drummond

    1. Correto, Alcides. Concordo com você, sobre os Estaduais, que são a salvação dos clubes menores e, portanto, do futebol brasileiro.
      Complemento, dizendo que não vejo dificuldades em montar um calendário:
      – no 1º semestre (Fev a Maio, 4 meses), Estaduais, que classificariam clubes para um Grande Nacional (sem divisões, mas com grupos semi-regionalizados);
      – no 2º semestre (16 Jul a 15 Dez, 5 meses), Nacional (para os clubes classificados a partir de cada Estadual); demais clubes de cada Estado disputam campeonato classificatório para o Estadual, no 1º semestre do próximo ano.
      Todos os clubes teriam atividades durante todo o ano.
      Nacional: 4 grupos de 16, turno único (15 jogos/clube); Taça de Ouro: 4 primeiros de cada grupo (16 clubes) formariam 4 grupos de 4 clubes (2 turnos, 6 jogos/clube); depois, mata-mata, até a decisão final (mais 6 datas); Taça de Prata e Taça de Bronze com clubes classificados, respectivamente, do 5º ao 8º e do 9º ao 12º lugares, na fase inicial.. idem Taça de Ouro.

  12. Amigos quem viu, viu e quem não viu procura no Youtube, com certeza irá encontrar seleções brasileiras de verdade, a minha favorita é Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior, Toninho Cereso, Falcão, Zico e Sócrates, Serginho e Éder, e o jogo pra lá de inesquecível foi Brasil 3 x Argentina 1, foi uma aula de futebol.
    E agora voltamos a Era Dunga que lastima, por isso que eu prefiro assistir o meu tricolor.

  13. Faz muito tempo que deixei de assistir jogos da seleção brasileira, não me interesso de forma nenhuma,
    quero mas que se dane, só fazem uso político desta porcaria.

  14. Helena , outra frase que venho falando e é util hoje ” cavalo aposentado não dirige carroça” .Voce já viu um profissonal que trabalhou e se aposentou em construção, um pedreiro por exemplo virar administrador de construção de grande obra , se durante sua vida toda apenas levantou paredes ,assentando tijolos , sem estudos , sem conhecimento

  15. Mais um que joga fora o melhor emprego do mundo. Com uma agravante, é pela segunda vez que o mané faz isso. O cargo de técnico da seleção é sem dúvidas o melhor emprego do mundo, senão vejamos:
    1- Salário milionário e benefícios.
    2- Viagens e estadias pagas em hotéis 5 estrelas mundo afora.
    3- Liberdade para assistir jogos internacionais em qualquer parte com ingressos pagos nos melhores locais dos estádios.
    4- Liberdade para contratar seus jogadores e auxiliares.
    6- Convites para contratos milionários com patrocinadores.
    7- Trabalho só alguns meses por ano.
    8- Participação em programas de Tvs.
    Apesar das vantagens inimagináveis para um brasileiro normal, o mané joga fora esse fantástico emprego sempre pelos motivos mais ridículos. Os mais comuns são: Mesquinharia e egoísmo, preconceito, incompetência técnica, teimosia, descontrole emocional, medo e capacidade para reconhecer os próprios erros.

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