Brasil cinzento

Foto: Leo Correa/Mowa Press
Foto: Leo Correa/Mowa Press

Há um evidente repúdio da imensa maioria dos torcedores brasileiros pela nossa Seleção. E não é de hoje. Já vem de muito tempo, num crescendo que explodiu nos fatídicos 7 a 1 para a Alemanha na Copa em nossa própria casa. Um vexame histórico, jamais antes vivido pelo país do futebol, como dizem por aí, e irremovível da memória nacional.

Claro que nada foi feito, em seguida, para ao menos tentar resgatar a confiança – nem falo em paixão – do torcedor. Ao contrário, quando Marin, o prisioneiro nos EUA por corrupção ativa, assumiu o lugar de Ricardo Teixeira, outro na mira da justiça, o novo presidente da CBF escalou Dunga para comandar nossa equipe, o que serviu pra colocar mais lenha na fogueira.

Ora, Dunga, além de não ter um histórico como treinador de futebol compatível para o cargo, embora tivesse dirigido o Brasil na Copa da África do Sul, o que já fora uma excrescência, transpira antipatia por todos os poros. Tampouco se revela um tipo articulado e imaginativo que possa sugerir o autor de novos traçados para nossa equipe.

A CBF deu-lhe o cargo, mas retirou-lhe as mínimas condições de exercer seu trabalho no nível exigido pelas circunstâncias.

Manteve esse calendário estúpido, em que a Seleção Brasileira entra pelas frestas apertadas, sem o devido tempo para treinamentos essenciais com vistas à formação de um time catado aqui e ali numa geração sem craques excepcionais, onde só Neymar desponta como tal.

A Alemanha dos 7 a 1, campeã do mundo, tinha o Bayern como base. A Espanha, ex-campeã do mundo e bi da Europa, tinha o Barcelona. O Brasil não tem nenhum. Logo, precisa mais do que os outros de treinar exaustivamente para, pelo menos, obter conjunto, sem o qual não há como praticar um jogo coletivo. E olhe que aqui nem estou entrando em questões relacionadas, por exemplo, a eventuais interesses espúrios que possam estimular esta ou aquela convocação deste ou daquele jogador. Muito menos sobre a capacidade real de Dunga pra dirigir nosso selecionado.

Apenas estou tratando das coisas óbvias, aquelas cujas soluções estão nas mãos dos cartolas da CBF, um bando de incompetentes e inconsequentes, pra dizer o mínimo. Tão incompetentes e inconsequentes que vivem atirando no próprio pé, apesar de todas as advertências.

Nos bons tempos do país do futebol, além de termos grandes times que poderiam servir de base, já que não havia esse êxodo massivo de jogadores para o exterior, às vésperas de cada disputa internacional (Sul-Americano ou Copa do Mundo) nossa Seleção dispunha de quarenta, quarenta e cinco dias de treinamentos, aqui ou lá fora. E, mesmo assim, perdíamos mais do que ganhávamos.

Quando perdíamos, torcedor e mídia esbravejavam contra aquelas seleções de pernas-de-pau e mercenários. Mas, quando ganhávamos, era aquela festa. Festas cujo ardor superavam de muito às das celebrações pelos títulos mundiais de 94 e 2002, ambas sufocadas pela lembrança de uma derrota gloriosa – a do time maravilhoso de 1982.

E por quê? Porque no imaginário do país do futebol, se a vitória do seu clube com um gol de mão no último minuto, com todo mundo jogando na retranca, é supimpa. Mas, a Seleção, não. A Seleção ainda representa aquele futebol mágico que se esfumaçou pelos tempos cinzentos em que vivemos.

2 comentários

  1. A seleção é vítima há muito tempo de um complô midiático/político/mercantilista . Como tal, não há esperanças que no curto e médio prazos possa resgatar a saga vitoriosa do passado. Nós torcedores hoje vivemos apenas de vitórias épicas do passado. Ou seja, enquanto políticos, grupos de comunicações e seus parceiros comerciais mantiverem o seu poder sobre a CBF continuaremos nesse caminho errático sem saber para onde vamos.

  2. O grande problema do futebol brasiileiro continua com o imediatismo de resultado e esbarra na má formação de atletas em suas categorias de base .Nossa imprensa tambem sofre deste mal ,pois conhece pouco futebol e nossa escola de futebol esta ultrapassada .Bom , o Anão é uma piada de mal gosto para todos torcedores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *