
Dentro do campo, o Timão, que volta a campo diante do São Bernardo nesta noite de quarta, está beleza: é o líder geral do Paulistinha, tem tudo pra seguir em frente na Libertadores e isso em meio a profunda reformulação da equipe, sem ao menos ter uma grande estrela pra puxar a fila – o mais aclamado é Cássio, um goleiraço, mas que sequer é chamado para a Seleção de Dunga.
Mas, fora do campo, ai,ai,ai… Espie só o vice-presidente, tido como virtual sucessor de Roberto Andrade, o André Negão, sendo levado à Polícia Federal por porte ilegal de arma e sob suspeita de ser um dos envolvidos em trambiques com a Odebrecht na construção do estádio em Itaquera. Vale dizer que André é ex-bicheiro, segundo suas próprias palavras à imprensa, e chefe de gabinete do deputado Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e responsável direto pela construção do maior sonho alvinegro – a casa própria.
A Operação Xepa (ou seja: fim de feira) não explicita como se deu o eventual conluio entre dirigentes da construtora e do Timão. Não deu ainda nome aos bois, nem estabeleceu toda a quantia que rolou no embaraço. Fala apenas em 500 mil reais que teriam sido destinados a André Negão.
Sanchez nega enfaticamente que tenha qualquer coisa a ver com o assunto. E mais: que vai cobrar dos responsáveis, em nome do Corinthians, os possíveis prejuízos causados ao clube.
Bem, é esperar pra ver.
Mas, é evidente que suspeitas sobre a construções de estádios de futebol por esses brasis afora com vistas à Copa do Mundo de 2014 se multipliquem aqui e ali. Uns, viraram elefantes brancos e, em menos de dois anos, estão ganhando contornos de Coliseus em ruínas, pra fazer jus ao título de arenas. Outros, sofreram abalos inexplicáveis antes mesmo de cumprirem dois anos de vida, como ocorreu ainda outro dia em Itaquera, por exemplo.
E antes que o cretino vestido de verde-amarelo da CBF, passeando pela Paulista, clame pela volta da ditadura militar, vale lembrar que isso tudo não é nenhuma novidade no País do Futuro.
Em plena vigência do AI-5, auge do regime militar nos anos 70, o presidente da CBD (CBF, hoje) era um graduado oficial da Marinha: o Almirante Heleno Nunes, também presidente da Arena (partido oficial do governo), que imortalizou a célebre frase – Onde a Arena vai mal, um time no Naci0nal. E o Campeonato Nacional, como se chamava o Brasileirão de hoje, chegou a beirar cem clubes na divisão principal.
Ora, como o regulamento do campeonato exigia dos participantes estádios com limite mínimo de lugares, as empreiteiras meteram mãos à obra erguendo verdadeiros monumentos à safadeza por toda parte. Houve casos em que os estádios recém-construídos abrigavam o dobro da população da cidade, como, por exemplo, o Ypiranga de Erexim.
E, se formos recuar mais no tempo, sei lá, chegaremos a Caramuru, tido como o mítico criador do Brasil de fato, aquele que traçou a filha do cacique tupinambá, em gloriosas terras baianas, e deu início a tudo.
Como diz a velha marchinha de carnaval: “Caramuru, hu, hu, Caramuru, hu, hu/ Filho do fogo, sobrinho do trovão/ Atirou num urubu/ Errou a direção/ E acertou num gavião”.
Como se vê tudo começou com a pontaria errada.
O sr.me desculpe mas acho que trazer lembranças de ditadura etc neste caso esta errado pois o maior prejudicado e o Corinthians que vai ter que pagar por um estadio que foi superfaturado por causa das propinas o presidente do Corinthians tem a obrigação de acompanhar junto a Justiça quem levou o dinheiro e tambem
Brigar pela restituição dos valore valores este que estão sendo pelos torcedores que lotam a Arena em quase todos os jogos.
Por favor como o morumbi foi construido e pago o senhor se lembra? eu me lembro muito bem pois acompanhei as obras. (Por favor não precisa publicar o comentario)Grato
O sr. me desculpe, mas é absolutamente indispensável manter viva a memória nacional, pra que o brasileiro não caia nas mesmas esparrelas do passado, num momento em que o país está sendo passado a limpo. A lembrança é pra mostrar que a corrupção neste país é endêmica e vale pra todos, indistintamente, seja que clube for, que partido, que homem público, que cartola. Por fim, o sr. me desculpe, mas supor que eu não reproduziria aqui seu comentário soa quase como uma ofensa. Pois, tenho horror a qualquer tipo de censura – horripilante experiência que vivi durante a ditadura – desde que o texto não seja claramente ofensivo, recheado de palavrões. E isso, não pra me proteger, mas, sim, aos demais leitores. Ideias contrárias serão sempre bem-vindas, se revestidas do mínimo de civilidade, como a sua.
Um abraço
Para passar o Brasil a limpo é fundamental que antes tarde do que nunca todos sejamos iguais perante a lei,e
como a esperança faz parte do nosso DNA,quem sabe agora a coisa engrena.Estranho o MP levantar poeira por quinhentos mil reais!!!Isto me parece somente a ponta do iceberg envolvendo o Itaquerão e tantos outros estádios construídos para a Copa.Penso que a maioria da população esclarecida não reivindica a volta da ditadura militar,mas quer o fim da ditadura civil desta quadrilha organizada.