
Sei que no pé deste comentário vão pipocar aquelas mensagens de sempre, cujo resumo é: quem quer saber da Seleção? Poderia responder, de maldade, que é aquela turma que passeia pela Paulista com a camisa da entidade altamente corrupta, a CBF, protestando contra a corrupção, como bem alertou o inventor do uniforme brasileiro, Adyr Sheer, outro dia.
Respondo, porém, levantando o dedo: euzinho!Que fazer, se desde menino esse time verde-amarelo me atrai, distrai e irrita, de acordo com o vaivém da bola e no balanço das teimosias dos tantos treinadores que a dirigiram?
Ainda há pouco estava lendo as declarações de Renato Augusto, o primeiro convocado a dar entrevistas no início da reunião dos jogadores que se preparam para enfrentar o Uruguai, sexta, pelas Eliminatórias.
Pô, meu, é briga por uma vaga na Copa do Mundo, não a disputa por uma vaga na próxima fase do Paulistinha, do Mineirinho, do Gauchinho, do Carioquinha, ou coisa que o valha. E lá estão (quase) todos os melhores jogadores que nosso futebol produziu, sei lá, nos últimos dez anos.
E o que disse Renato Augusto, um dos protagonistas do último grande feito do Corinthians, campeão brasileiro da temporada passada? Disse que não está em sua melhor forma, falta-lhe ritmo de jogo desde que partiu para a China, e, que, se o técnico quisesse poderia perfeitamente cumprir as funções de segundo volante, esse anacronismo que só no nosso futebol sobrevive como dogma imutável.
Por acaso foi o que defendi no meu último post sobre a Seleção: Renato Augusto no lugar do ausente Elias, ao lado de Luís Gustavo e juntando-se a Lucas Lima ou P. Coutinho, Willian, Neymar e Douglas Costa, uma formação de jogadores lépidos, hábeis,cheios de ginga e versáteis, capaz de endoidar qualquer defesa do mundo, se bem instruídos.
Mas, tire o cavalinho da chuva, meu amigo, pois Dunga irá se apegar à outra parte da entrevista de Renato Augusto, aquela que fala em falta de ritmo, pra justificar a presença de Fernandinho por ali.
Nesse caso, Renato Augusto não pode entrar nem na meia, no lugar, digamos, de Lucas Lima. Ou tem plenas condições de jogo, ou tá fora, que enfrentar o Uruguai de Luisito Suárez em Montevidéu não é moleza, não, meu camarada (ops, não é salutar neste momento da vida brasileira usar esse termo).
Mesmo Lucas Lima corre sério risco de ver tudo acontecer do banco, pois se o amigo me permitir penetrar pelo ouvido ou narinas de Dunga e chegar aos seus pensamentos mais secretos, embora óbvios, esse Lucas Lima, franzino, habilidoso, canhoto, ah, esse tipo não marca ninguém, conheço esse filme de outros carnavais. Mal sabe o nosso digno treinador que Lucas Lima é o segundo jogador que mais rouba bola no Santos, time altamente ofensivo de praxe.
Mas, este é o país dos equívocos, onde vale mais o clichê do que o fato.
Então, é muito provável que tenhamos por ali Willian, que anda esmerilhando no Chelsea decadente, com Ricardo Oliveira – como jogar sem um centroavante típico? – lá na frente, ladeado por Neymar e Douglas Costa, ou, quem sabe, o vigoroso Hulk. E tome contragolpe pra ver se Neymar resolve essa encrenca.
É assim que a banda toca no coreto do Dunga.