Um toque de modernidade

Foto: AFP
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No mínimo, curiosa a conceituação de boa parte dos nossos jovens comentaristas, arautos do futebol moderno, no qual, segundo eles, todos devem marcar (raramente acrescentam que todos devem atacar também). Mas, sempre que se fala em trocar ao menos um dos tradicionais, velhos, carcomidos, superados volantes de contenção, assumem um ar vitoriano de extrema precaução para advertir sobre os riscos de deixar o time mais exposto.

Ora, se todos devem marcar, atacantes e meio-campistas, além dos zagueiros, óbvio, pra que ter especialistas nessa função?

O máximo de avanço dessa turma é dizer que volante moderno sabe sair jogando. Ora, volante vola, meu. Desde Rubens Salles, nos primórdios do nosso futebol, volante vola, voa, vai e vem. Quem fica parado é poste, pô! Além do que saber jogar futebol é princípio básico para qualquer jogador, desde o goleiro, hoje em dia, até o ponta-esquerda (e não me digam que não há mais ponta-esquerda no futebol moderno, se não enfio na sua goela Neymar, Douglas Costa, Ribéry e Cristiano Ronaldo, pra citar só alguns).

Não há maior exemplo de modernidade real, vívida, atuante, do que o Barça e o Bayern, os times que oferecem não só os melhores espetáculos como obtêm os índices mais significativos em matéria de eficiência. Ou seja: equilíbrio entre ataque e defesa. E ambos jogam com apenas um volante, quando não sem nenhum de ofício. Isso, sem falar nas várias oportunidades em que jogam até mesmo sem zagueiro típico algum, como vem fazendo o Bayern, por exemplo, há algumas rodadas, por força das circunstâncias.

Cito esses dois porque são o top de linha, mas poderia acrescentar Real, Arsenal e muitos outros times europeus que jogaram na lata de lixo essa praga dos dois volantes.

A verdade é que a turma pede mudanças radicais no nosso futebol, quando a mudança deve começar nas suas próprias cabecinhas, que, por dever de ofício, fazem as cabecinhas do público e dos cartolas.

Agora mesmo estou lendo que Tite pretende escalar sua equipe para o jogo contra o Santa Fé, pela Libertadores, com apenas Bruno Henrique de volante, tendo à sua frente, ou ao lado, o meia Rodriguinho, Giovanni Augusto etc.

Experiência, aliás, já tentada por Tite no jogo retrasado do Corinthians e tão exaltado neste pedaço pelo companheiro, o filósofo Chico Lang. Mas, ali, foi meio que na base do desespero, com o time precisando fazer o resultado e o jogo correndo desfavoravelmente para o Timão.

Agora, se realmente o técnico aplicar essa fórmula, será de forma consciente, como um princípio e não um apelo circunstancial.

Claro, o elenco corintiano, como de resto nenhum outro no Brasil e poucos no mundo, nem de longe se equipara, individualmente, com os do Barça ou do Bayern. Mas, que diabo!, não estamos aqui disputando jogos com o Real e o Arsenal. São todos mais ou menos equivalentes, tecnicamente. Logo, não custa nada mudar o braço da viola e tentar um acorde mais moderno pra ver se desperta esse povo da letargia em que vem sendo embalado nas duas últimas décadas, por baixo.

 

 

Um comentário

  1. Helena você é reconchecidamente um dos maiores cronistas e comentaristas do futebol mundial, ah que saudades do Telê e ainda tem repórter que o compara ao retranqueiro Muricy, cade o bom futebol gente?

    Um forte abraço!

    Delson

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