
Dentre tantos encantos do Barça, um dos que mais me comovem é essa busca pela perfeição, que, nos versos do velho amigo Gil, é uma meta defendida pelo goleiro (breque: da Seleção).
Perceba o amigo a reação dos craques catalães, sobretudo os que compõem o trio infernal MSN, a cada passe decisivo cortado, a cada tiro fatal desperdiçado, a cada drible definitivo impreciso. Os caras arrancam literalmente os cabelos.
Não importa se estão vencendo ou não a partida, o que passa pela cabeça dos craques, todos infinitamente bem remunerados, famosos, com o mundo a seus pés, é uma só ideia: não podia errar essa, pô!
Esse é um dos tantos fatores que fazem do Barça um time único na história recente do futebol. A turma nunca está satisfeita com o resultado ou o espetáculo que oferecem rodada após rodada. E não importa se o jogo é decisivo, em casa ou fora dela.
Agora mesmo, diante do frágil Sporting Gijón, nas Astúrias, essa cena se repetiu várias vezes, com Messi, Neymar e Suárez, que perdeu um pênalti mas marcou o seu, depois dos dois de Messi, isolando-o na tábua de artilharia do campeonato espanhol, acima até mesmo do extraordinário Cristiano Ronaldo.
Seja perdendo, seja ganhando apertado ou de goleando, o Barça não descansa nessa busca pela excelência. Continua dominando a bola desde sua mais profunda defesa e atacando até o apito final do juiz. Mesmo correndo o risco, de repente, de levar um contragolpe e perder dois ou três pontos preciosos na briga pelo título.
Isso é futebol. Ou melhor, isso é arte no seu sentido mais amplo e profundo: a procura, sem cessar, sem amarras, pela excelência plena.
O que deveria ser uma praxe no futebol, mas, infelizmente, acaba sendo uma rara exceção.