Pra muita gente soou estranho o cântico da Grande Rio, na Sapucaí, em louvor ao Santos.
Sucede que o Peixe, embora um clube paulista, tem uma antiga ligação amorosa com o Rio como nenhum outro clube fora da Cidade Maravilhosa.
E isso vem de antes mesmo da era Pelé, quando o Santos tinha o hábito de ir ao Rio buscar uma legião de jogadores que construíram sua história na primeira metade dos anos 50.
Posso aqui montar uma seleção santista-carioca dessa época. A ver, na escalação da época: Veludo (Flu); Hélvio (Flu) e Lafaiete (Flu); Ramiro (embora do Guarujá, veio para a Vila do Flu), Telesca (Flu) e Urubatão (Madureira); 109 (Flu), Otávio (Botafogo), Carlyle (Flu e Bota), Vasconcelos (Vasco) e Tite (Flu).
É que havia aquela relação praieira entre as duas cidades, além do fato de que as rádios cariocas eram recepcionadas mais facilmente no litoral paulista, o que aumentava essa ligação.
Depois, já nos tempos de Pelé e cia., o Maracanã se enchia muito mais do que o Pacaembu ou mesmo a Vila, quando o Santos por lá jogava, já que o carioca, mais festivo do que o paulista, cultivava o futebol-arte com maior devoção. E aquele Santos, meu Deus!, era simplesmente fantástico. O que colocava aos seus pés os mais prestigiosos comentaristas esportivos do Rio, como Mário Filho, Nélson Rodrigues, Armando Nogueira e João Saldanha, todos permanentemente encantados com o futebol mágico do alvinegro caiçara.
O que destoou no desfile foi a presença de Neymar pai em cima de um carro alegórico, feito celebridade da moda.
Figura malquista na Vila, sua relação com o Santos só se deve através do filho, que não pôde vir porque o Barça está em plena atividade. (Melhor teria sido no seu lugar, um boneco articulado de Neymar, coisa do tipo). Isso, além do fato de estar sendo investigado, aqui e na Espanha, por eventuais desvios de dinheiro das respectivas Receitas e outros bichos.
Se cometeu ou não tais crimes quem decidirá será a justiça, de cá e de lá.
Mas, como responsável por empresas promotoras de imagem pública deste ou daquele contratado, deveria, no mínimo, saber que, nestas circunstâncias, não seria mais inoportuna sua aparição dessa forma.
Uma lástima.
A homenagem foi para a CIDADE de Santos, não apenas ao gigantesco Santos Futebol Clube.