
A Copinha foi criada pra preencher o vácuo entre as temporadas oficiais do futebol de cima, num tempo em que pouco era transmitido dos campeonatos europeus pela tv. E servia sobretudo para dar à luz novos talentos em gestação.
E isso era possível, entre outras coisas, porque havia um número civilizadamente menor de clubes participantes, clubes que tinham marcas tradicionais, inclusive os pequenos, como o Nacional da Capital, por exemplo, campeão de uma das edições distantes.
Com o passar dos anos, a Copinha foi se transformando num balcão de negócios dos empresários de jovens jogadores, inflou-se de tal maneira que mal se consegue vislumbrar aqui ou ali um futuro craque nascente. Mesmo porque a tv, que é a grande vitrine, entulhou-nos dos jogos das Copas e campeonatos europeus, muito mais atraentes pra qualquer um que goste do jogo da bola.
Com o imenso número de participantes e tantas sedes onde a Copinha é disputada, o que se vê são jogos sendo realizados em verdadeiros pastos, principalmente por conta desta época chuvosa do ano, o que lhes tira o brilho do jogo coletivo e escamoteia o talento individual deste ou daquele futuro craque. Isso, sem falar no absurdo patético do regulamento imposto este ano que, depois do mata-mata, um dos mortos é ressuscitado feito Lázaro e pode até ser campeão.
Claro, sempre tem, aqui ou ali, o afluxo maior de um público específico, que vai ao estádio pra torcer pelo time da casa, essas coisas. Pra não falar da estupidez congênita dessas torcidas uniformizadas que, vira e mexe, protagonizam cenas deprimentes como as vistas no jogo do São Paulo em Mogi.
Algo de positivo, porém, é possível extrair, no fim das contas – dois ou três meninos que sobem o degrau da fama e têm chances maiores nos times principais de suas respectivas equipes. Mas, o escopo principal da competição vai-se esvaindo ano após ano.
NA LINHA DO GOL
Cássio ficou, mas Gil está indo pra China, juntar-se àquela legião de corintianos que já foram, não só pra terra dos mandarins. Evidentemente, o Corinthians foi pego de calças curtas. Caso contrário, nesse caso específico,não teria permitido a saída de Edu Dracena, que passaria a ser titular com um pé nas costas nessas circunstâncias. E esse foi o maior erro da diretoria: não se preparar para eventuais investidas dos mercados mais ricos sobre seu time. E olhe que o Cruzeiro já dera o alerta no ano passado, ao ser desmantelado depois da conquista do bi brasileiro. Aliás, esse é um erro típico de praticamente toda diretoria de clube brasileiro: não se manter esperta até o apito final, antes que as janelas se abram, tendo na mira uma lista de reforços que se farão necessários mesmo que não se perca uma batelada de jogadores. Resta, agora, engolir o sapo e descartar grandes feitos pra este ano, aproveitando-o para colocar suas finanças em ordem e programando-se para o próximo ano.