O craque e a diferença

(Foto: Adrian Dennis/AFP)
(Foto: Adrian Dennis/AFP)

Ah, que diferença faz o craque no meio de campo…

Pegue como exemplo esses dois lancinantes jogos do campeonato inglês: Chelsea 3, Everton 3 e Manchester City 4 Crystal Palace 0.

No primeiro tempo, enquanto Chelsea e City atuavam com dois volantes, os respectivos adversários jogaram mais e melhor,

Em Londres, no início do segundo tempo, o Chelsea chegou a levar 2 a 0 do Everton, time que sabe tocar a bola e partir pra cima como gente grande.

Bastou, porém, o técnico sacar o volante Matic, colocando Oscar em campo, com o devido recuo de Fàbregas para a armação (o que vocês aí chamam de segundo volante), e o Chelsea passou a deslizar em campo, alcançando o empate rapidamente, num lançamento magistral de Fàbregas pra Diego Costa e na devolução do artilheiro para o próprio Fàbregas marcar.  E, quando mais se aproximava da virada, eis que toma o terceiro, já nos acréscimos. Nem assim esmoreceu e foi em frente, sob o comando de Fàbregas, e chegou ao empate no apito final.

Em Manchester, idem com batatas: o City havia aberto o placar ainda no primeiro tempo, num lance isolado, mas penava diante do Crystal, até Pellegrini tirar do banco Yayá Touré, esse monstro de versatilidade, força, habilidade e inteligência.

Em cinco minutos, foi da água pro vinho. O meio de campo, até então esparso e inconsistente, assentou-se, ganhou lucidez e passou a imprimir um avassalador avanço sobre o adversário. E, em cinco minutos, já elevara o placar pra 3 a 0, com bolas saídas dos pés de Touré. O quarto gol só veio confirmar a superioridade súbita do City e revelar, mais uma vez, o crime de lesa-futebol praticado pelo colégio eleitoral da Fifa que mais uma vez deixou de fora da Seleção do Ano esse admirável marfinense, simplesmente o mais completo jogador de futebol do planeta (não, necessariamente, o melhor, que essa palma ninguém arranca dos pés de Messi).

 

3 comentários

  1. Falou tudo, Alberto Helena Jr.

    “O meio campo é o lugar dos craques”, já cantava o Skank…

    Imagina um campeonato brasileiro só com meias ao invés de volantes… Daí volante vira zagueiro… tipo Barcelona. rss
    Mas os técnicos brasileiros (obrigados pelo seus cargos de risco), ao invés de acabar com volante marcador, estão acabando com os meias armadores..
    Tem gente que fala que o Ganso (assim como falavam do Alex canhotinha) é jogador que não existe mais no futebol moderno.. Eliminar o clássico camisa 10 com a desculpa de “futebol moderno” é querer justificar a falência das categorias de base, onde um garoto chega meia armador dos bons (daqueles que dão passe de sinuca, sabe) e tem que se acostumar a marcar e acompanhar lateral nas beiradas do campo, senão nem vira titular na base…
    Valeu garoto… Sua opinião é sempre bem dada do Gazeta Esportiva.
    Parabéns !

    Abs,
    Willian

    1. Sempre pensei do mesmo jeito. Para se ter uma ideia fora eu treinador da seleção brasileira o meu meio de campo seria: Kaka(vindo de trás), Oscar, Lucas Lima e Ganso. Na frente completaria com Neymar e Douglas Costa. Olha o toque de bola, o domínio de bola e a qualidade desse quadrado! Kaka ainda poderia fazer muito bem essa função pois não precisaria correr o campo inteiro. Ele tem visão de jogo, é alto podendo ajudar a defesa, e inda pode finalizar de fora da área. Mias os genios do futebol preferem Fernandinho, Luiz Gustavo e Cia.

  2. Ainda sobre o tema. É impressionante como não há um único treinador no Brasil que pelo menos tente mesmo que seja num joguinho só, mesmo num amistoso qualquer a utilização de 4 meias habilidosos no meio de campo para ver o que pode acontecer. E olha que tem elencos por ai que poderiam se dar ao luxo de fazer isso. O Corinthians é um deles. Lá sabemos por que não se faz a experiencia. Tite com DNA retranqueiro jamais cogitaria uma barbaridade dessas(Segundo o pensamento dele). Sempre no time haverá um lugarzinho para um Ralf um Petros um Christian. Uma das vantagens que 4 meias habilidosos, movediços trariam ao time de cara, seria o maior tempo de posse de bola, isso se refletiria imediatamente na defesa que ficaria menos exposta diferentemente do que pensam os retranqueiros para defenderem os brucutus. Outro ponto positivo, o contra-ataque seria feito com muito mais qualidade, em maior número e muito mais mais letal. Para completar o esquema e tornar o time mais perigoso ainda eu completaria o ataque com dois jogadores velozes se rezando constantemente. Quem sabe um dia algum cego com um olho de vidro não faça isso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *