Neymar e o detalhe mágico

Neymar comemora seu gol contra o Granada. Foto: LLUIS GENE/AFP
Neymar comemora seu gol contra o Granada. Foto: LLUIS GENE/AFP

Messi fez três na goleada do Barça por 4 a 0 sobre o Granada, neste sábado.

Mas, o que jogou Neymar, meu Deus! Fez um, o quarto, e poderia ter marcado outro – bola no poste que Messi colheu sozinho. E mais outro, que bateu de esquerda de bate-pronto nas redes pelo lado de fora.

Com esse gol, Neymar alinhou-se a Suárez na liderança da artilharia do Barça, com quinze gols cada.

Isso, porém, apenas revela a competência ofensiva desse extraordinário brasileirinho. Mas, não constata toda a gama de recursos que Neymar vai desfiando em campo, jogo após jogo, desde que desembarcou na Catalunha há dois anos, se tanto, o que lhe valeu se perfilar entre os três melhores do mundo de 2015 na eleição da Fifa – Messi, Cristiano Ronaldo e ele.

O que me delicia diante da tv é a sequência mágica de jogadas de Neymar, que parecem sair de uma cartola de prestidigitador de circo e de teatro antigo. Aliás, foi fantasiado como um deles que Neymar desembarcou no Camp Nou, de smoking, gravata borboleta, calçados brilhantes e chapéu coco preto, em vez da cartola.

Falando nisso, houve três ou quatro lances de Neymar nessa partida que me remeteram às proezas do Mago da minha juventude. Refiro-me a Canhoteiro, camisa 11, como a de Neymar, do São Paulo e da Seleção na segunda metade dos anos 50.

Já contei aqui que, quando adolescente, em jogo do São Paulo, comprava ingresso de arquibancada no Pacaembu, o que me dava direito e passar para o lado das gerais só pra ver, colado ao alambrado, Canhoteiro fazer seus truques mais de perto, da banda em que seu time atacava.

E uma dessas mágicas que mais me comovia era o mais simples e ao mesmo tempo complexo movimento: a matada de bola com o pé.

A bola podia vir lá no alto, enviesada, cheia de curvas e traições, que Canhoteiro a recolhia na ponta dos dedos ou no peito do pé, como se fora lançada pelas mãos de um menino a um metro dele.

Pois, foi exatamente isso que Neymar fez nesse jogo por três ou quatro vezes, além de todos aqueles dribles inesperados, toques de calcanhar, assistências precisas e tal e cousa e lousa e maripousa.

Sim, sei que se trata de um pequeno detalhe. Mas não dizem por aí que Deus e o Diabo estão nos detalhes? Pois, então.

 

 

4 comentários

  1. Neymar é um gênio da bola ,vejo ele jogando parece que ele estar brincando no quintal da casa dele é impressionante o que joga esse garoto ,ainda não vai ser dessa vez que ele vai ganhar a bola de ouro ,mais é questão de tempo para que isso aconteça por muitas vezes sem dúvida alguma .

  2. . Neymar tem um comportamento que desconfio ser o seguinte: Para ser O cara tem que ter alguém acima dele que o desperte para o jogo, Parece que com toda classe e genialidade ele não tem o perfil para ser o protagonista do time., precisa estar sempre sendo desafiado. talvez isso explique o fato dele não liderar a seleção.

  3. Parabéns Helena, você foi ao ponto. Neymar é genial jogando bola…assim como você eu também tive vário gênios para ver ao vivo ou pela tv, mas o que mais me encantou foi um colega de rua…de apelido rosinha…o que ele fazia com a bola era gozação…não foi ser profissional do Palmeiras ou Corinthians porque preferiu viver pouco e para a maldita da cachaça…Os catalães já amam Neymar menos pelos gols e mais pelas jogadas e as matadas não passam batidas não. No jogo passado mesmo levando a mesma nota do Messi, foi chamado de genial e mágico!

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