
Pegue como exemplo esse empate do Verdinho na estreia na Copinha, por 2 a 2, com o Sampaio Correa. Vitinho, uma das joias da base do Palmeiras, passou o primeiro tempo inteiro no banco, enquanto seu time perdia por 1 a 0 e não conseguia se organizar em campo.
No intervalo, Vitinho, um meia hábil, veloz e insinuante, entrou no lugar do volante Daniel. Resultado: o Palmeiras tomou conta do jogo e somou uma infinidade de chances de marcar, mesmo depois de ter levado o segundo gol, em consequência de cobrança de corner.
Mesmo assim, foi lá e descontou com Cauê e, por um triz, não virou naquela bola que Vitinho tocou no poste. Tudo por conta da movimentação e criatividade do garoto que entrou tarde demais.
O que eu quero dizer é o seguinte: o dever de um técnico de futebol, sobretudo o das bases, é escolher os melhores jogadores, os mais hábeis e de técnica superior, e montar um esquema para que eles possam, juntos, oferecer o melhor jogo possível.
O que se vê, da base ao pico da pirâmide dos nossos clubes, é o inverso: o técnico esquematiza um sistema de jogo, invariavelmente escudado no conceito superado dos dois volantes, com vistas, antes de mais nada, a não tomar gol, e a partir daí escolhe os jogadores mais adequados para cumprir tais funções, sejam ou não os mais hábeis e técnicos.
É uma amaldiçoada inversão de valores que só empobrece o espetáculo e não aumenta as chances de obter resultados positivos, já que todos agem dessa mesma forma.
NA LINHA DO GOL
Ao contrário do Palmeiras, que só empatou na estreia, Santos, Corinthians e São Paulo ganharam seus respectivos jogos na Copinha. Mas, dos três, apenas o Tricolor ofereceu algo mais, na goleada por 4 a 0 sobre o Paulista de Jundiaí: o garoto David Neres, canhoto, cheio de dribles e passes, autor do primeiro gol logo a um minuto de jogo. E não é de hoje que esse garoto vem fazendo bonito.
E o Chelsea, hein? Quem te viu e quem te vê… Nos últimos tempos de Mourinho, mouribundava pelos gramados, apanhando de Deus e do Diabo. Foi o holandês assumir no lugar do murruga e eis um Chelsea remodelado, botando a bola no chão, envolvendo o adversário e acumulando vitórias como a deste domingo sobre o Crystal Palace, no campo inimigo, por 3 a 0, gols dos brasileiros Oscar, Willian (que bomba!) e Diego Costa. Essa história de técnico estrela e motivador tem prazo de validade, meu. Chega uma hora em que o saco explode.
Não sei se Rafa Benitez se enquadra nesse estilo. Acho que seu desencontro com o Real é de outra ordem, mais técnica, o que acaba resultando também no divórcio entre o treinador e o grupo de jogadores. O fato é que o Real não embala nas suas mãos. Neste domingo empatou com o Valencia, por 2 a 2, num jogo em que esteve a pique de perder já nos descontos, e está se distanciando cada vez da liderança.
Por falar em técnicos, Cuca, que era objeto de desejo do Galo e do São Paulo, entre outros, está aí à deriva, de volta da China. Leio que vai tirar um tempo para estudar… até abril. Ora, abril está aí, a um beiço do janeiro que começamos a trilhar. Pelo visto será um curso relâmpago, algo menos do que o velho e aposentado Madureza.
Dizem que esse Valtinho,é o novo Neymar ! Só que o Defrederico era o novo Mestri também ! Calanguices !
Com a atual performance de nossos atacantes, os que ficaram no país, não há como apostar num esquema mais ofensivo e ousado. São muito fracos. Por outro lado a questão não se resume à escalação ou não de dois volantes, mas do posicionamento e da movimentação destes. A algum tempo atrás jogava-se com dois e liberava-se os alas para atacar. Os bons alas também sumiram. Enfim, faltam jogadores talentosos, habilidosos, criativos. E, infelizmente, nesta copinha a maioria joga como manda o manual das “escolinhas”.
O palmeiras achou que o Sampaio era galinha morta, e queria poupar jogadores. Foi nítida a mudança de atitude quando tomou o gol. Ai a displicência diminuiu e o treinador colocou Vitinho em campo. Precisou tomar o segundo para arancibia entrar.