Domingo de tantas finais

Foto: AFP
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E ainda há quem defenda o mata-mata no Brasileirão sob o argumento de que, nos pontos corridos, se um time dispara na ponta, ciao e bênça, o campeonato acaba rodadas antes do final, e fica todo mundo chupando o dedo.

Pois, peguemos este domingo de encerramento do Brasileirão, em que o Corinthians isolou-se na ponta e levantou a taça com grande antecedência.

Dos vinte concorrentes, dez deles – a metade, portanto – disputam pontos preciosos até o apito final.

Lá embaixo, são cinco brigando pra não despencar à Série B, dentre eles um gigante do nosso futebol – o Vasco da Gama, que acaba de voltar do inferno. E haja maquininha de calcular pra fazer as contas das possibilidades casadas entre todos os jogos.

Cá em cima, o super campeão Corinthians vai a Floripa atrás de um pontinho ao menos para bater outro recorde – o de número de pontos conquistados desde que esta fórmula de disputa foi adotada. E pega pela frente um Avaí desesperado para escapar do rebaixamento.

Ah, mas o Timão vai com o time reserva…. Isso mesmo, aquele que meteu 6 a 1 no São Paulo e carimbou o titulo.

O São Paulo, por sua vez, enfrenta no Serra Dourada um Goiás igualmente agoniado pela sombra do descenso, de olho no Inter, que recebe em casa o Cruzeiro, na última partida de Mano Menezes como seu comandante. São Paulo e Inter concorrem pela última vaga restante em direção à Libertadores, salvação da lavoura para ambos. Sobretudo para o Tricolor, no ano mais conturbado de sua história.

Por fim, o Grêmio dá sua última arrancada para desbancar o Galo da vice-liderança, o que, além do valor moral, significa mais dois milhõezinhos em caixa. O Galo pega o Chapecoense em casa, e o Grêmio, o já rebaixado Joinville, em Floripa.

E, se forçarmos a barra, até o Santos entraria nessa ciranda, em busca de uma saída honrosa numa temporada em que esteve com a vaga da Libert6adores por duas vezes nas mãos, e desperdiçou ambas as chances.

Quem, então, está chupando o dedo, afora aquela turminha do meio que já assegurou um lugar na Sul-Americana, sem brilho nem desespero?

O amigo diria que o Palmeiras. Mas, este ainda festeja a conquista da Copa do Brasil, com a consequente ida para a Libertadores e a volta por cima na crise que se desenhava no Parque antes da decisão com o Peixe.

Tá bom demais, meu.

NA LINHA DO GOL

Se não viu, vale a pena ver aquela imagem da câmera de tv instalada atrás do gol do Valencia, no instante em que Neymar, lá pelos 30 minutos do segundo, dispara vertiginosamente da intermediária, come um, dois, três e atira pra fora um quase gol. Observe só as feições de Neymar. Nenhum esgar, nenhuma ruga, sequer a natural alteração na respirada, olhar sereno. A expressão de Neymar era a de quem estivesse tomando chá de camomila numa mesinha de bar das ramplas de Barcelona. E olhe que ele arrebentou com o jogo, apesar de o Barça ter amargado um empate por 1 a 1. Coisas do futebol, pois merecia ter ensacado o Valencia que só deu dois chutes a gol, num deles, rede.

Agora, mude de canal e fique de olho em Willian. Tá jogando demais o brasileirinho, num time em crise, apesar de tantos nomes famosos e de um treinador ultra festejado. Marca, dribla, lança, arrisca passes complicados com exatidão, entra pela direita, pela esquerda, arma pelo meio, bate faltas e escanteios, enfim, desfila um repertório quase completo em campo. E não é de agora, não. Faz tempo que é assim, tanto no Chelsea quanto na Seleção Brasileira. Contudo, o mais importante é sua disposição de se apresentar como única alternativa num time desmazelado como o Chelsea desta temporada. É aí que se vê o talhe do craque: aquele que assume todas as responsabilidades em meio a uma crise técnica, tática e moral de sua equipe.

Bem que o Andrés Sanchez, há tempos, vem anunciando: Del Nero não passa o Natal na CBF.  Foi dezembro pisar no campo do tempo, e Del Nero escafedeu-se até do comando do futebol brasileiro. Não é pra menos, pois já foi indiciado pelo FBI como um dos suspeitos de tantas tramoias que envolvem a Fifa, seus dirigentes e patrocinadores de todos os tipos. Deixou no seu lugar, como interino, um deputado federal da chamada Bancada da Bola, aquela que, no Congresso, tem impedido qualquer avanço do nosso futebol em qualquer direção. É uma cadeia (sem trocadilho) de infortúnios que ata o futebol mundial há muito tempo e que só agora começa a ser exposta pela ação das autoridades americanas, seguidas pelas suíças, e, espera-se, as brasileiras, idem.

 

 

3 comentários

  1. Quando vejo o Willian jogar me lembro muito do Valdo que jogou no Atlético e na Seleção. Valdo era um ótimo jogador, tinha a confiança do Telê, porém, nunca foi aquele jogador das decisões, parecia muito o saudoso João Henrique craque do boxe, na hora H de conquistar um título faltava-lhe o golpe fatal..Willian me parece seguir o mesmo roteiro, sinto que falta nele aquele punch para um jogador de seleção, vide 2014. Muitos me criticam porém ainda acho o Ganso um jogador acima da média. Eu fico imaginando Ganso com seus passes redondinhos , sua visão de jogo e toques rápidos, cairia como uma luva num time como o Barcelona.

  2. Meu caro Xará,

    Quem é que defende que o campeonato brasileiro não seja feito no sistema de pontos corridos? Ora… quem. a não ser o macrocefálico Milto Neves? A cabeça dele é enorme, mas cheia de vento e de uma outra substância aromática. É que os dois timinhos para os quais ele torce são “especialistas” no tal mata-mata!
    O tal Galo das Alterosas chegou ao título da Libertadores aos trancos e barrancos ganhando o título nos pênaltis, a exemplo daquele outro time lá da Vila Pompéia que também está se tornando um especialista em decisões por loteria.
    Só quem não tem competência e um plano organizado é que defende o mata-mata.

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