
Que jogo mais doido, sô!, diria o mineiro diante da tv vendo o Real disparar 4 a 0 no Shaktar, lá, e, nos quinze minutos finais levantar os braços aos céus agradecendo pelo adversário não ter chegado ao empate.
Sim, porque, de repente, deu a louca no Shaktar que, com dois gols de Alex Teixeira (ex-Vasco) e um de Dentinho (ex-Corinthians), reduziu para 4 a 3 e quase chega lá.
Mas, há uma certa razão em meio a tanta doideira: as substituições feitas pelos dois treinadores – a entrada de Taison (ex-Inter), que animou o Shaktar, e as de Benzema e Kroos no Real, que tiraram o vigor do Real, por mais incrível que pareça.
Claro, e aquele desleixo natural que se apossa de um time tão disparado no placar já segundo tempo avançado.
Sobretudo, porque a superioridade merengue até então era abissal, com Casemiro tomando conta do meio de campo, fosse no desarme, que é sua função precípua, fosse no passe, que é sua grande virtude. Como, por exemplo, naquele lançamento a la Gérson para Cristiano Ronaldo no gol de Modric.
Sim, estou falando daquele mesmo Casemiro que a torcida tricolor expulsou com suas vaias do Morumbi, dado de graça para o Real, com passagem ilustre pelo Porto, e que hoje deixou no banco ninguém menos do que Kroos, um dos algozes do memorável 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil.
A turma tem que aprender o seguinte: a voz do povo nem sempre é a voz de Deus; é preciso filtrá-la sob a luz da razão. Não fosse assim, o mundo não teria gerado Hitler e seus congêneres ao longo da história. A não ser que estejamos falando daquele Deus que puniu Adão e Eva, aos quais havia concedido o livre arbítrio, por comerem o fruto do conhecimento.