
Foi um autêntico baile do Barça sobre o Real, em pleno Santiago Bernabeu, na volta de Messi aos campos, depois de muito tempo ausente, período em que Neymar e Suárez trataram de jogar por ele, marcando todos os gols do seu time até este clássico estratosférico.
Mas, coube a Iniesta não só quebrar essa rotina, com um golaço, como tomar conta da partida de tal forma que, ao ser substituído, no segundo tempo, foi aplaudido de pé até pela torcida do Real, aquela que tem como dístico a frase artística: no hay que ganar, hay que desfrutar. E, pra quem ama o futebol, ver Iniesta jogar é um desfrute sem par.
Mas, ao mesmo tempo, a torcida madridista, por certo, tinha ganas de esganar o técnico Rafa Benitez, cujo prestígio na Europa, juro, não entendo.
Aliás, desconfio que a goleada do Barça, por 4 a 0, dois de Suárez, um de Neymar, em passe exato de Iniesta, e outro de Iniesta, em passe de calcanhar de Neymar, tem parte com o diabo. O diabo que sussurra no ouvido dos jogadores do Real que, com esse treinador, não dá. O que ficou evidente em recentes declarações de Cristiano Ronaldo, simplesmente a estrela da cia.
Mas, apenas em parte, pois o resto todo coube ao mérito desse Barça encantador, que, não importa contra quem e onde, põe a bola no chão e vai tecendo uma rede hipnótica até acelerar o jogo quando se aproxima da área inimiga. Fez quatro mas poderia ter feito seis ou sete, dadas as chances perdidas por Serge Roberto, Munir (duas incríveis) e Suárez.
Sim, claro, o Real também merecia ter feito pelo menos dois – num deles, cabeceio à queima-roupa de Cristiano Ronaldo que Bravo espalmou pra escanteio.
Ou muito me engano, ou Benitez já está arrumando sua mochila, enquanto o Barça dispara na liderança do campeonato, com o melhor ataque e o maior artilheiro, Neymar.
NA LINHA DO GOL
Enquanto o Barça estraçalhava o Real, em Madri, o seu correspondente em encanto e eficiência, o Bayern, penava diante do Schalke. Mas, o Bayern de Guardiola, quando encontra uma dureza dessas, termina vencendo por 3 a 1. E foi o que acabou acontecendo. Ficou num torturante 1 a 1 até o final da partida, quando disparou os dois gols decisivos. Fenômeno, aliás, que costuma acontecer também com o Barça. É que ambos jogam num estilo que obriga o adversário manter uma concentração acima do normal o tempo todo. Impossível, pois, num determinado momento, a marcação não resiste. É quando o Bayern e o Barça disparam no placar.
O Arsenal é outro que replica esse jeito de jogar: bola nos pés o tempo todo, envolvimento e ataque decisivo na zona de remate. Mas, desta vez, diante do West Brom, bobeou e despencou da liderança para o quarto lugar, ao perder por 2 a 1, de virada, e fruto das vitórias do Manchester United e do Leicester, a grande sensação da temporada britânica. Quando digo que bobeou foi porque Campbell conseguiu perder gol feito, sozinho, diante das redes vazias, e, para completar, Cazorla chutou o pênalti de empate por cima da meta.
Já o Chelsea escapou da crise crônica nesta temporada ao vencer o Norwich, na casa do adversário, por 1 a 0, gol de Diego Costa. Mas, era pra ter goleado, dado o volume de jogo aplicado sobre o inimigo, em mais uma tarde inspirada de Willian, que se multiplicou em campo e fez as jogadas mais insinuantes e criativas da partida.
Após o término da partida,Marcelo concedeu entrevista e uma de suas declarações resumiu não só a cara do jogo,mas as diferenças gritantes na forma de jogar das duas equipes,:-
“Não nos entregamos,mas o fato é que não conseguimos manter a posse de bola e como corríamos mais,
quando nos recuperávamos estávamos cansados e não conseguíamos precisão nos passes,e eles nos
dominaram.É preciso haver jogado futebol para compreender-lo.Mas de fato não nos faltou atitude”
Florentino começou a brincar com uma bola-de-neve quando dispensou Ancelotti e contratou Benitez.
Agora a bola está grande e pode rolar e cair sobre sua cabeça.