Tricolor: ganha ou não ganha?

(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

O São Paulo pode colocar um ponto final no campeonato, caso vença o Galo, no Morumbi, num dos raros momentos da história do clube em que o torcedor insano prefere até mesmo que seu time perca para não favorecer o rival eterno, Corinthians.

Não nos esqueçamos daquele triste episódio mais ou menos recente em que Grafite, artilheiro do time, virou da noite pro dia vilão tricolor justamente por ter feito seu trabalho em campo, ajudando indiretamente esse mesmo Corinthians.

Nesta noite de quinta, porém, o São Paulo joga por si mesmo, em busca de uma vaga na Libertadores, única sobra digna de um ano a ser apagado da memória tricolor, por todas as sucessivas lambanças já públicas e exploradas a fundo: os desvios de conduta de sua diretoria deposta e as sucessivas trocas de técnicos.

A única vantagem do Tricolor é jogar em casa contra o vice-líder do campeonato. Vantagem relativa, pois o São Paulo, neste ano, dela não se aproveitou no mesmo nível de temporadas passadas.

E, pior: percebo que o interino Milton Cruz pretende desfazer justamente o que vinha funcionando um pouquinho melhor, mesmo nas derrotas recentes, no sentido de dar um toque de fluência na evolução do time da defesa para o ataque.

Pelo que leio, o técnico está disposto a recolocar Hudson no lugar de Wesley e avançar Ganso para o ataque, recuando Michel Bastos para a saída de jogo.

Ora, Ganso teve uma melhora de desempenho justamente porque, com Wesley, formou a dupla herdada daquele Santos encantador de cinco atrás atrás. Wesley, ao contrário de Hudson, um volante mais de contenção do que de ataque, é um meio campista que vai e vem com maior constância e capacidade técnica, o que permitia a Ganso, mais atrás, explorar o que tem de melhor – a visão de jogo e os passes descortinados.

Com as mudanças propostas pelo meu querido Milton Cruz, é muito provável que seu time ganhe mais consistência defensiva. Em contrapartida, perde a fluência no passe e volta a apelar para a ligação direta, essa tragédia que assola o futebol brasileiro há muito tempo.

Mas, enfim, isso tudo são meras especulações, pois o jogo é jogado, e o cronista não passa de mero profeta do passado, como bem dizia o querido e saudoso Mestre Armando Nogueira.

 

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