
Pode não ter sido espetacular, mas foi fácil a vitória do Brasil sobre o Peru, na Fonte Nova, por 3 a 0. Mais ou menos o que se esperava, não só pela fragilidade do adversário mas também pela qualidade de nossos jogadores, tão depreciados entre nós.
É verdade: não temos uma safra de craques predestinados a fazer história, embora isso não seja possível prognosticar com absoluta convicção. Mas, a turminha sabe jogar bola. Se bem orientada, num esquema mais ofensivo, pode dar o que falar.
Por exemplo: a troca de um centroavante fixo por um avante mais móvel e técnico – como já ficou demonstrado em várias ocasiões anteriores, até mesmo pelas últimas partidas sob o comando de Mano Menezes – oferece ao nosso time aquele toque de versatilidade que o pessoal costuma chamar de moderno, e que o velhinho aqui prefere chamar de inteligente.
E foi o que se viu, mais uma vez, na Fonte Nova, com Neymar cumprindo esse papel, ainda que sem o brilho habitual. Mas, sua movimentação por dentro permitiu que William e Douglas Costa cintilassem pelos lados.
William, novamente, fez uma partida impecável, tanto no plano tático, coletivo, quanto no individual. E Douglas Costa foi decisivo nos três gols conquistados pelo Brasil.
No primeiro, aos 22 de bola rolando, William cruzou da direita para Douglas Costa finalizar no meio, premido pelo zagueiro. No segundo, aos 12 da etapa final, o jogador do Bayern passou por quatro, pela direita, e rolou para Renato Augusto concluir. E, no terceiro, limpou a jogada pela direita e bateu para o goleiro rebater e Filipe Luís aproveitar.
Entre um e outro, Neymar fez gol legítimo, que o bandeirinha anulou.
Tradução disso tudo: se Dunga tiver um pingo de juízo, repetirá esse esquema até o grupo ganhar maior consistência, mantendo sempre Ricardo Oliveira ou um seu clone no banco para a eventualidade, neste ou naquele jogo, de precisar partir com tudo sobre o adversário mais renitente nos minutos finais, como costuma ocorrer vez por outra.
E, se tivesse uma dose extra de ousadia, sacaria um dos dois volantes para dar lugar a Lucas Lima ao lado de Renato Augusto, que se houve tão bem na armação.
Mas, isso já é pedir demais.
Fizemos o que tínhamos que fazer e terminamos essa “pernada das eliminatórias” bem em questão de resultado. Falta jogar um futebol melhor.