
O clássico naufragou e tudo ficou adiado pra amanhã, se a chuva deixar.
O curioso nessa história toda foi a informação dada pelo PC Vasconcelos no Sportv, pouco antes da decisão final: o juiz iria espiar o campo, mas só tomaria uma decisão depois de consultar a Fifa.
Ora, ora, ora, o juiz é, pelas leis do jogo, autoridade absoluta dentro das quatro linhas. É a ele, somente a ele, que cabe decidir se o campo é ou não praticável. Ele é quem está ali, in loquo, verificando o estado do gramado. A Fifa está lá em Zurique, metida em camisas de força; que autoridade tem para decidir isso?
Sudamericanidades, meu amigo, esse espírito de subordinação – si, señor, no señor, não é comigo, o homem lá é quem decide – que rege nossas ações desde a chegada de Colombo.
Bem, pouco antes dessas cenas lamentáveis, o Equador, voando alto em Quito, batia o Uruguai por 2 a 1, enquanto a Venezuela despencava das alturas de La Paz, por 4 a 2, diante da Bolívia.
Bem, é fato que o morro de La Paz é mais imponente do que o de Quito. E que, tecnicamente, Bolívia e Venezuela se equivalem. Então, esse resultado deve ser visto com certas reservas.
Já a vitória do Equador, da forma que foi, tem maior expressão.
É verdade que o Uruguai não pôde ainda escalar Suárez, que está esmerilhando no Barça. Mas, já contou com Cavani, que fez um gol e meteu outro, feito, na trave, com desvio do goleiro, cara a cara.
Mas, o Equador simplesmente embrulhou o Uruguai em papel manteiga durante todo o primeiro tempo, quando abriu o placar e poderia ter aumentado o placar, graças ao volume de toque de bola no campo adversário.
No segundo, tomou o empate, mas logo revirou o placar com Martinez, depois de incisiva jogada de Montero.
E seguiu pressionando, estruturado com apenas um volante que sabe jogar, como gostam de dizer nossos jovens comentaristas, três meias e dois atacantes, todos se movimentando lá na frente, sem um centroavante típico enfiado na área.
Veja só o amigo: o Equador, quem diria, joga de maneira mais moderna do que nossos modernos comunicadores, técnicos e torcida jamais sonhariam.
Resultado: o Equador, que já bateu argentinos e uruguaios, está lá em cima na tabela das Eliminatórias. E nós? Ainda agradecendo a água benta dos céus.