Guardiola: a obsessão pela excelência.

Foto: AFP
Foto: AFP

O jovem leitor Jefferson Ricardo, encantado com a bola do Bayern, me faz uma pergunta pertinente: será que Guardiola conseguiria reproduzir esse mesmo futebol num time sem os jogadores do nível que ele teve em mãos no Barça e no Bayern atual?

Bem, isso só saberíamos de fato se o técnico catalão vivesse essa experiência inusitada na sua carreira.

Mas, lendo o livro sobre sua estada na Baviera, é fácil perceber que se trata de um sujeito obcecado pela excelência.

O Bayern que lhe coube vinha desfilando no topo da montanha. Havia acumulado todos os títulos possíveis e era a base da Seleção Alemã que acabou levantando a Copa do Mundo, com direito àqueles 7 a 1 sobre os pentacampeões mundiais, na nossa casa.

Como elevar ainda mais o padrão desse time, se sabemos que o único caminho além do topo é a descida? Esse era o grande desafio para Guardiola. Muito maior do que você pegar um time em baixa e levá-lo a patamares muito acima, como, por exemplo, está fazendo Dorival Jr. no Santos.

Pois, o cara conseguiu, mesmo se desfazendo de jogadores chaves como Kroos e Schweinsteiger, sem Ribéry eternamente machucado e Robben, durante bom período. E levou para Baviera apenas dois jogadores que não constavam da constelação de estrelas mais brilhantes da Europa – Tiago Alcântara e Douglas Costa. Tiago, como já ocorria já no berço Barça, entra e sai da enfermaria. Quanto a Douglas Costa, Guardiola deu-lhe asas. Tanto, que o brasileirinho é hoje o maior xodó da torcida a quem entoa a  nossa Aquarela do Brasil a toda hora.

Sua obsessão pela excelência não lhe dá sossego, tampouco aos seus jogadores. Mexe e remexe no time, nas posições dos craques, na disposição tática, anima e adverte sua tropa sem parar. Quando chega em casa, ao fim do dia, exausto, fecha-se em seu quartinho dos fundos e fica ali, diante do computador, engendrado novas fórmulas de conter e atacar o próximo adversário, seja ele qual for.

Gosta de conversar com seus amigos enxadristas, dos quais extrai lances e conceitos que tenta sempre adaptar ao futebol.

Resumindo: caso pegasse um time com jogadores de segunda categoria, muito provavelmente não obteria deles o mesmo padrão de um Barça ou um Bayern, pois, no fim das contas, quem joga é o jogador. E a coisa não se resume à capacidade técnica do jogador, mas também à de entender o que o técnico está pedindo, uma questão, enfim, de inteligência.

E olhe que não falta paciência para tanto a um catalão que, em poucos meses, aprendeu alemão – e a cada dia exercita mais o novo idioma – justamente para evitar mal-entendidos num papo atravessado pelo intérprete.

Mas, que faria esse time jogar um futebol muito mais agradável do que estamos acostumados a ver por aqui, com as exceções de praxe ah, disso não tenho dúvidas, meu caro Ricardo.

PS: Aliás, é com prazer que percebo nas últimas entrevistas de Tite a preocupação em elevar o nível de excelência de seu Corinthians campeão cada vez mais. Esse é o caminho para escaparmos de vez do famigerado futebol de resultados, onde apenas a vitória basta. Hay que desfrutar, como dizem os espanhóis.

NA LINHA DO GOL

Como? Por que ainda não falei daquele gol do Neymar que colocou o mundo a seus pés nesta segunda-feira? Simplesmente porque não há palavras para descrevê-lo. É coisa de vídeo-game com toques de Velasquez e humor assombroso de Dali. Enfim, é uma obra pra ser vista e revista, não pra se comentar, a não ser numa restrita exclamação: Não acredito!

E que dizer desse Willians, do Bilbao, que produziu outra obra-prima de engenho e execução naquele gol em que dá um chapéu longo no adversário e bate de primeira no ângulo? Trata-se do primeiro negro a vestir a camisa do Bilbao, que todos sabem, é um clube famoso por só utilizar jogadores bascos em seus quadros. Sucede que Willians, embora filho de africanos, é basco de nascimento. Santa globalização, que vai rompendo barreiras por esse mundão afora.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *