
O Corinthians está prestes a bater recordes de eficiência na história do Brasileirão, desde que a competição foi criada nos moldes atuais. E, mesmo assim não se poderá dizer que o atual Corinthians seja um timaço capaz de extasiar gregos e troianos, repleto de craques espetaculares, que dão show a cada rodada.
Sua principal virtude é o equilíbrio alcançado por Tite na combinação dos três setores da equipe (defesa, meio-campo e ataque), num processo de avanço seguro e gradual ao longo do campeonato. Começou opaco (lembra-se do empatite?) e foi ganhando um certo brilho a partir do segundo turno até atingir nesta reta final um nível de excelência respeitável.
Obviamente, do ponto de vista individual, sua força maior está no meio de campo, sobretudo nas figuras de Elias, Renato Augusto e Jadson. Mas, nenhum dos três é ainda titular absoluto da Seleção Brasileira, num tempo sombrio, diga-se, da nossa história.
Aliás, o Corinthians, de tantas glórias, teve poucos craques que alcançaram status de ídolos nacionais. Neco, num passado remoto, Rivellino e Sócrates, mais recentemente, e quem mais?
Sou do tempo daquele ataque dos Cem Gols dos anos 50 – Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário ou Jackson. Desses, apenas Baltazar, o Cabecinha de Ouro, justamente o tecnicamente menos habilitado, era o que frequentava a Seleção habitualmente, graças ao seu poder de finalização, sobretudo no cabeceio.
O Corinthians, ao longo de sua existência, sempre marcou presença como time, embora uma infinidade de craques tenham vestido a gloriosa camisa alvinegra e que ficaram na memória da Fiel pra sempre. Mas, sobretudo, o Corinthians foi um time, uma camisa e uma torcida, ganhando ou perdendo, vivendo longos períodos de seca ou levantando uma taça atrás da outra.
E é esse traço atávico que suponho ter criado esse laço entre Tite e a Fiel, como no passado havia, por exemplo, em relação a Osvaldo Brandão, dois gaúchos de temperamentos e estilos opostos, pode-se dizer, mas que desembocam no mesmo objetivo alcançado – a construção de um time unido, sólido e altamente eficiente.
COMO É DIFÍCIL ADMITIR QUE ESSE TIME DÁ SHOW HEIN AINDA MAIS PARA OS SAUDOSOS QUE AINDA ACHAM ESTAS NA DECADA DE 50,60.