O Tricolor das incertezas

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

O cara espia assim, coça a cabeça e se pergunta: mas cumé que esse São Paulo, metido em tanta confusão dentro e fora do campo, consegue ainda se manter ali brigando pela quarta vaga do Brasileirão, aquela que conduz à Libertadores, velha obsessão tricolor?

Trocou três vezes de técnico e duas de presidente, o último, estapeado e acusado de corrupção pelo vice que saiu e voltou, uma autêntica zona, meu!

A propósito, já me disseram que o ex-soberano trocou a coroa da soberba pelo boné de lado e anda chamando seus pares de mano, enquanto o corintiano passou a desfilar na Oscar Freire com jeans de grife, camisa xadrez e mocassim italiano. Não acredito!

Mas, o fato é que, dentro das quatro linhas, mesmo com alguns tropeços, o Tricolor continua salvando as aparências.

Isso, porque ainda possui em seu elenco alguns jogadores de qualidade, os que sobraram das investidas da torcida, aquelas que defenestraram do Morumbi, por exemplo, Casemiro, titular absoluto do Real, e Maicon, cuja ausência no Grêmio é apontada como uma das razões das oscilações do Tricolor gaúcho nas últimas rodadas.

Essa história da saída de Casemiro até hoje não consegui entender.

O rapaz era cria da casa. Jogou uma barbaridade nas seleções de base, e entrou bem no time principal do São Paulo, foi chamado para o time nacional, até que a torcida começou a pegar no pé do rapaz. O suficiente para a diretoria Juju praticamente mandá-lo de graça a Madri, onde se destacou no Real B e foi emprestado ao Porto. Lá, esmerilhou, voltou ao Santiago Bernabéu e está arrasando com seu senso de colocação, seus passes medidos e até fazendo um golzinho aqui, outro ali.

Tem caroço nesse angu, ah, se tem, meu amigo.

O desprezo pelo futuro me remete de volta ao presente tão incerto quanto ao que espera o Tricolor para próxima temporada.

Se o que tem mantido o time numa condição ainda honrosa no Brasileirão, por conta de alguns bons ou excelentes jogadores, o que esperar depois do desmanche, com as saídas de Pato, Luís Fabiano e sabe-se lá de quem mais?

Com uma dívida atroz, as receitas extras do Morumbi diminuindo diante da realidade dos  novos estádios da cidade, que oferecem melhores condições para shows musicais e outros eventos, sem patrocínio master de peso, qual a perspectiva de o Tricolor renovar seu time em alto padrão num mercado tão competitivo e caro?

Até agora, só um nome apareceu no horizonte tricolor: o veterano Lugano, um beque acalentado pela memória do torcedor sobretudo pelo vigor físico, que, obviamente, já não é o mesmo há alguns anos.

Enfim, é o São Paulo, cortejando seu pior passado num presente caótico e sem visão do futuro.

 

 

 

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