Os velhos Meninos da Vila

helenajovemExalta-se muito a capacidade de o Santos aproveitar no time principal os meninos da base.

A questão não é essa. Na verdade, o buraco é mais embaixo. Está na capacidade do Santos em preparar bons, quando não excepcionais, jogadores entre seus meninos, desde sempre.

De nada adiante o técnico da equipe principal dos demais clubes olhar para baixo e não vislumbrar ali aquele garoto que pode, ao subir, explodir.

As tais categorias de base devem seguir um padrão básico: revelar jogadores de talento, não taludões dispostos a cumprir à risca as lições dos professores, em geral, gente despreparada para a função, com diploma ou sem diploma.

Os Meninos da Vila são macróbios, meu caro. Estou aqui lembrando daquele time do Santos que precedeu um pouco a era Pelé. Veja só este ataque de sessenta anos atrás: Del Vecchio, Álvaro, Pagão e Pepe. Todos os quatro criados na Vila. E, se recuarmos ainda mais no tempo, poderemos desfilar a família Patesko nestas lembranças – Arakén, Aroldo e Ari.

Sob o olhar atento de Ernesto Marques, esses meninos foram se sucedendo – Negreiros, Léo, Osni, Cláudio Adão, Nenê, Clodoaldo, Orlando Lelé, sei lá quantos mais. Mais tarde, vieram as gerações de Pita e Juari, de Robinho e Diego e de Neymar, antes da turminha atual, de Gabigol, Geuvânio, Tiago Maia e cia. bela.

Só isso mantém o Peixe acima da linha d’água por todo esse tempo, embora nos bons tempos tenha investido em grandes contratações, como Gilmar, Carlos Alberto, Mauro, Ramos Delgado, Lima, Abel, Jair da Costa etc.

Mas, sua sina é buscar no berço a solução que os demais são incapazes de equacionar, a não ser ocasionalmente, apesar de tantos investimentos depositados nas tais categorias de base.

NA LINHA DO GOL

Vejo a foto que gerou essa tremenda polêmica no Flamengo e fico boquiaberto. Não há nada lá que indique algum motivo para a exagerada punição de cinco jogadores do Flamengo, quatro deles, titulares. Os carinhas estão lá cercados de belas jovens vestidas decentemente, em torno de uma mesa repleta de garrafinhas de cerveja e refrigerantes, traçando um churrasco trivial. Aliás, nem se fosse uma esbórnia, do tipo todo mundo pelado, o que isso tem a ver? Se o cara, em campo, cumpre suas obrigações, ciao e bênça. Ah, mas e a moral do torcedor, aquela que o faz condenar de cara o jogador de futebol, esse mulato analfabeto que ganha uma fortuna pra chutar uma bola de futebol, enquanto, ele, torcedor, mal consegue andar no arame de geração em geração? Mas, como o time anda perdendo mais do que ganhando em campo, então que se atire esse churrasquinho de gente aos urubus. Assim, a diretoria tira seu time de campo com camisa lavada. E alma manchada.

 

 

 

 

 

3 comentários

  1. Realmente você é uma voz dissonante do jornalismo esportivo. Quando o mais seguro seria simplesmente condenar os jogadores, sua opinião vai direto na ferida! Lógico que a diretoria do Mengo abriu o sorriso para a oportunidade que caiu no seu colo. Lavou suas mãos com água, sabão e até passou amaciante. Só que, nessa era da indiscrição, cabe a todos nós, maiores cuidados. Principalmente quem está “devendo” na praça! Os 5 vacilaram! Abraço!

  2. Belo texto, Helena. Tenho um orgulho imenso em ser torcedor desse clube, que nunca foi de encontro a mesmice. O Santos sempre quis encantar, encantar os seus e os demais torcedores. Imagine se nós teríamos a capacidade de jogar um futebol pragmático, calcado na defesa, algo muito comum no futebol de hoje em dia… Jamais!!! O Santos é único, só o fato de ser um clube fora de uma grande capital e ter conquistado tudo o que conquistou e continua conquistando, já o torna mais do que especial. É como diz seu hino: nascer, viver e no Santos morrer, é um orgulho que nem todos podem ter!

  3. Ótimos textos. Como flamenguista, também concordo que foi um exagero que mais prejudica o time do que os jogadores. O time porque perde os titulares e também porque desvaloriza um pouco o valor de “patrimônio” do clube. Ainda bem que acabaram de reintegrar os 5. Que se dê alguma multinha financeira, mas ficar fora do time é ruim pro clube.

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