Marin, no cárcere da memória

(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Marin, finalmente, será liberado pela justiça suíça para cumprir pena nos EUA. Tudo indica que está fazendo um acordo com a justiça americana para pagar por seus crimes em casa, um amplo apartamento na Trump Tower, no centro de Manhattan, onde o preço do metro quadrado é o mais caro do mundo. Além disso, pagaria de fiança cerca de 10 milhões de dólares.

E pensar que foram apenas sete meses como governador interino de São Paulo, substituindo a Maluf, em plena ditadura militar, período em que não havia corrupção, segundo os recentes passeantes da avenida Paulista.

A propósito, só outro dia ouvi, na Jovem Pan, o discurso de Wadih Helou, trágico ex-presidente do Corinthians, e o aparte de Marin, na Assembleia Legislativa, que levaram Vlado Herzog aos porões da ditadura, onde foi torturado, assassinado e vítima da mais desaforada farsa montada com aquela foto que sugeria suicídio.

É de causar engulhos.

Isso foi há quarenta anos, mas parece ter sido ontem, quando meu querido amigo Fernando Faro, o Baixinho, me ligou pedindo o telefone do dono do Jornal da Tarde, Ruy Mesquita. Faro era, à época, diretor geral da TV Cultura e queria a intercessão de Ruy Mesquita para salvar a pele de alguns jornalistas presos naquele dia. Dentre eles, Vlado, diretor de jornalismo da Cultura, Rodolfo Konder, que mais tarde seria meu companheiro na Gazeta, e Marco Antônio Rocha, colunista econômico do JT.

Konder e Marquito escaparam a tempo, Vlado, não.

Marin até pode cumprir sua pena em seu confortável apartamento em Manhattan. Mas, ficará encarcerado para sempre na memória dos homens de bem deste país.

 

3 comentários

  1. Nesta mesma edição,a Gazeta publicou que Marin teria que pagar fiança de 10 milhões de dólares (cerca de R$ 40 milhões) em uma negociação que colocaria em jogo seu apartamento na Trump Tower, na famosa Quinta Avenida, avaliado em cerca de R$ 8 milhões. Não importa que as informações quanto a valores estejam confusas,pois a dinheirama é absurdamente vergonhosa.Afinal,o Leão do IRPF .parece ser bravo e intolerante somente com os assalariados brasileiros,pois os CPF’s como os de Marin e tantos outros da política e do futebol são pouco vigiados e perseguidos por este animalzinho intransigente com o povão trabalhador.

  2. Insinuar que os milhares de manifestantes da Paulista apoiavam a ditadura porque haviam lá alguns malucos que a apoiavam é muita desonestidade!
    Então posso inferir do seu segundo parágrafo que a corrupção de 40 anos atrás justifica a corrupção de hoje. É de causar engulhos.

    1. Inferiu mal, meu amigo. Nem disse que os “milhões” de passeantes da Paulista apoiavam a ditadura, nem disse que a corrupção passada justifica a atual. Disse “recentes passantes”, sem enumerá-los, nem todos, nem poucos, muitos ou alguns.Se foram poucos ainda é muito. E a corrupção é detestável em qualquer época.
      Abraços

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