O craque Miele

Foto: João Cotta/TV Globo
Foto: João Cotta/TV Globo

Ultimamente, ando me sentindo meio como o Toninho Boa Morte, o responsável pela seção de necrológios do falecido Jornal da Tarde. É que minha turma vai indo, assim, ó, um atrás do outro.

Hoje, foi a vez do Miele, produtor e diretor de espetáculos musicais na tv e no teatro, ator, show-man como nunca tivemos neste país antes.

Conheci o Miele no raiar dos anos 60, no Jangadeiro, em Ipanema, apresentado pelo saudoso e grande artista plástico Caio Mourão, irmão do Zelão, meu chapa dos tempos em que trabalhei no Mackenzie. E, logo de cara, ele foi tirando sarro com a minha barba.

– Isso só pode ser coisa de paulista! Barba, num país tropical?

É bom lembrar, que, embora carioca de alma, Miele nasceu e viveu até finais dos anos 50 em São Paulo.

O curioso é que bastou eu cortar minha barba e a dele começar a crescer, até se transformar em marca registrada pela maior parte de sua gloriosa existência.  (Só recentemente voltei ao insalubre hábito).

Mas, Miele, pra quem não sabe, não era só craque no palco ou diante das câmeras de tv, não. Era também craque de bola. Meio-campiista cheio de estilo brilhava nos Namorados da Noite ao lado de Toquinho, do Raul Português, do Cartlinhos Vergueiro, do Chico Buarque, do Zé Nogueira, a Velha, que já passado dos 80 ainda bate sua bolinha entre uma birita e outra.

Com um detalhe; asmático, jogava com a bombinha escondida no calção, de onde vira e mexe a retirava para abrir os brônquios numa funda puxada do milagroso vapor que a mim tanto auxiliou nestes anos todos de fumante inveterado.

Foi-se o Miele e fico só imaginando a zoeira que ele já está aprontando nos bares celestiais, arregimentando anjos e demônios para o grande espetáculo da eternidade tão efêmera.

 

 

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