
Conheço Doriva desde quando começou a jogar pelo São Paulo: um volante basicamente de marcação, com bom senso de colocação, muita entrega e técnica reduzida. O bastante, porém, para integrar aquele grupo campeão do mundo sob o comando de Telê. Depois, rodou mundo, jogou na Europa, voltou, pendurou as chuteiras e virou técnico.
Logo de cara, teve um momento de glória com o Ituano, seguido de duas experiências negativas – Furacão e Vasco -, antes de começar um processo de recuperação da Ponte, que, depois de frequentar o topo da tabela no início do Brasileirão, sofrera acentuado declínio.
Sei, porém, pouco, confesso, sobre o ideário do jovem treinador. Nas raras vezes que nos vimos recentemente não pudemos aprofundar nossas conversas sobre metodologia de trabalho, esquemas táticos, essas coisas. Só sei como se expressam em campo seus times, e o idioma ali falado monta um discurso convencional, feito de frases prontas e os clichês da moda.
Sei que é dura a vida de treinador brasileiro, com esse calendário insano e a sandice crônica dos nossos cartolas. folhas ao vento que vão pra onde sopram as circunstâncias. E, quando as circunstâncias escurecem, logo apontam o dedo para o treinador.
Assim, fica muito claro que a intenção do São Paulo, cuja diretoria sonhou alto na contratação de Don Osorio, agora, é fincar o pé no chão, e tentar, ao menos, não fazer feio nas retas finais da Copa do Brasil e do Brasileirão.
Desconfio que esse objetivo Doriva consegue alcançar perfeitamente.
Depois… bem, depois é uma sequência de depois, nessa dança do diabo ao som das cornetas tocadas pelos cartolas e boa parte da mídia.