Brasil: estreia com ar de decisão.

Douglas Costa vem atuando bem pelo Bayern (Foto: Leo Correa/Mowa Press)
Douglas Costa vem atuando bem pelo Bayern (Foto: Leo Correa/Mowa Press)

Esse é um daqueles jogos que podem definir uma campanha. Se isso fosse dito anos atrás seria tomado como verdadeira heresia, um anátema, um absurdo, já que o Chile era freguês de caderneta, aqui, em Santiago, onde fosse, embora os rojos sempre praticassem um futebol de toques, algo herdado da escola argentina.

Mas, agora, a história é bem diferente; eles aprimoraram seu jogo na mesma medida em que produziram craques que conseguem dar à sua equipe aquele salto qualitativo especial só possível com jogadores que decidem. É assim com pelo menos dois deles – Vidal e Alex Sanchez, que ainda no último fim de semana meteu dois golaços pelo Arsenal no Manchester United (um, de calcanha; outro, um tirombaço da entrada da área).

É verdade que ambos são dúvidas, mais Vidal do que Sanchez.

Em contrapartida, não temos Neymar, o que, nas atuais circunstâncias, significa meio time, embora Douglas Costa, voando como está no Bayern, possa reduzir essa perda, se não compensá-la.

Mas, quem estará preparando as bolas para Douglas arrancar pela esquerda? E quem estará na área pra se aproveitar de seus cruzamentos?

Na zona de criação da equipe, persistem duas dúvidas – Fernandinho ou Elias, como segundo volante, e Oscar ou Lucas Lima como meia-armador. Pela lógica sequencial do trabalho de Dunga, Fernandinho e Oscar deveriam ser os escolhidos. Afinal, foram os que mais vezes vestiram a camisa canarinho nos últimos tempos. Sucede que Elias agradou mais nos recentes amistosos, e Oscar está em baixa no Chelsea, como de resto toda a equipe de Mourinho, que rasteja nas últimas colocações do campeonato inglês.

Com exceção de Willian, parceiro de Oscar no Chelsea, o que levaria para a Seleção um mínimo de entrosamento entre dois meias de preparação de jogadas para o ataque. Mas, Lucas Lima está esmerilhando no Santos e saiu-se bem nos últimos amistosos. Logo…

E quanto ao comando do ataque, aquele predestinado a receber os cruzamentos de Douglas?

Bem, pelo visto, apesar de ter chamado um centroavante de fato e de direito, pelo que está jogando no Peixe, Ricardo Oliveira, Dunga parece propenso a escalar por ali Hulk, que é mais um atacante pelos lados, jogador passível de altos e baixos na Seleção que já frequenta há um bom tempo. Pode ser que funcione. Afinal, o jogo é jogado.

Espero que dê certo, pois, como dizia lá em cima, esse é um jogo especial para a nossa caminhada em direção à próxima Copa na Rússia.

Se conseguirmos vencer logo de cara um dos favoritos à vaga, lá em Santiago, cresce o moral da equipe para o resto dos confrontos. Mas, se perdermos, instala-se na alma do time aquela percepção de que estaremos sempre brigando pra não cair fora da Copa do Mundo pela primeira vez na história do único time no mundo a disputar todos os Mundiais realizados desde a criação do evento.

E isso não é bom, nada bom, meu.

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