Sabá europeu

AFP
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As bruxas montaram em seus drones virtuais (a vassoura tradicional já foi aposentada, meu) e sobrevoaram os campos europeus, num verdadeiro sabá. E desembarcaram primeiro na Espanha, onde las hay, las hay, segundo o tétricoTorquemada.

De lá, já no meio da semana, enviaram seus feitiços além-mar sobre o nosso Neymar, alvo da Receita Federal brasileira, que de tão zelosa com o nosso rico dinheirinho desviado por certo estará também de mira nesses tantos bilionários brasileiros que frequentam a revista Forbes, sem falar nos ladrões habituais.

Mas, Neymar, em campo, não deu sinais de que se acanhou diante da pressão, não. Embora perdesse um pênalti e sem jogar o que sabe, protagonizou lances de alta categoria e ousadia.

Quem acabou mesmo sendo atingido pelas bruxarias foi Messi, que teve de abandonar o campo precocemente e ficará dois meses fora de combate, por ruptura dos ligamentos do joelho. Maior maldade, impossível. Apesar disso tudo, o Barça venceu o Las Palmas por 2 a 1, dois de Suárez, e fez figa para o Real, que não conseguiu sair do zero diante do Málaga, graças às defesas mirabolantes do goleiro Kameni, certamente protegido por todos os orixás também presentes ao estádio, pois os merengues (sobretudo, Cristiano Ronaldo, às vésperas dos quinhentos gols) criaram uma infinidade de chances de ouro, em vão.

Subo, então, na minha vassoura virtual e sobrevoo a terra mágica de Stonehenge, e o que vejo lá embaixo?

De cara, o implausível, certamente obra daqueles duendes verdes irlandeses: o Tottenham (que não se perca pelo nome) massacrando o City, que começara tão bem o campeonato, por 4 a 1, de virada!

Resultado: em seguida, os duendes verdes pintaram o azul de vermelho e o Manchester United saltou para o primeiro lugar, ao bater o Sunderland por 3 a 0, com mais uma exibição de gala do francês Martial, que está fazendo toda a diferença para os Diabos Vermelhos neste início de temporada.

Ao mesmo tempo, o Arsenal, de futebol refinado e envolvente, metia 5 a 2 no Leicester, na casa do adversário, em jogo que confirma a lei do Chacrinha: no futebol inglês, o jogo só acaba quando termina. Basta dizer que o segundo gol do Leicester e os dois últimos do Arsenal foram realizados nos últimos minutos de partida, incluindo os acréscimos.

Por fim, em Newcastle, o time da casa ia enfiando 2 a 0 no Chelsea de Mourinho, o campeão que raspa a zona do rebaixamento nesta temporada, quando o murruga resolve colocar em campo Willian e Ramirez, já no finzinho do jogo. E não é que ambos resolvem a questão, empatando o jogo? Um disparo exato de fora da área de Ramires e falta cobrada por Willian, que raspou a cabeça de Ramires e enganou o goleiro.

Já nos pagos de Kant e Marx, a razão está acima de qualquer sortilégio, e o Bayern de Guardiola cumpriu a equação lógica ao meter 3 a 0 no Mainz, com direito a mais dois gols de Lewandowisk, que no meio de semana havia marcado cinco. O outro foi de Coman, o francesinho de quem haveremos de ouvir falar muito, pois joga o fino.

Ao cair da noite, as bruxas voaram em direção ao seu Conciliábulo habitual do sábado, e os duendes se enfronharam nas florestas, enquanto os anjos da bola sorriam satisfeitos lá das nuvens celestiais de onde a tudo assistiam.

 

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