
O Choque-Rei, por certo, está eletrizado.
De um lado, o Palmeiras, carregando o peso de longo tabu no Morumbi contra o São Paulo, que, por sua vez, desceu do alto do Morumbi para os baixios da Vila Sônia, onde, por sinal, se erguia um dos presídios mais tradicionais da cidade, hoje desmontado.
Tantas e tão recorrentes são as lambanças da atual diretoria tricolor, digna sucessora da gestão Juju, que o São Paulo de tão ilustres lembranças, virou verdadeira várzea.
Do que se aproveitou o atual técnico, Don Osorio, para publicamente revelar sua falta de confiança na diretoria tricolor. Em outros tempos, seria o mesmo que queimar a ponte atravessada. Mesmo porque, em outros tempos, ele já teria sido antes atirado da ponte pela diretoria, cheia de indignação. Mas, os tempos são outros, e a diretoria se recolhe à mudez dos que se sabem culpados.
Contudo, se a diretoria tricolor faltou com suas eventuais promessas ao treinador contratado outro dia, Don Osorio, de seu lado, também não cumpriu o que dele se esperava.
Ora, neste mundo globalizado, integrado por uma rede absurda de comunicação instantânea, não se justifica alguém apresentado como profundo conhecedor do futebol desembarcar no Morumbi dizendo que não sabia o que o esperava. Alguns cliques na Internet, antes de fechar o contrato, bastariam para saber onde estava se metendo.
Aliás, em relação aos tais estudos, confesso que ando desconfiado da qualidade de ensino da escola da Uefa, onde ele se diplomou com louvor. Pois, na conversa que tivemos, num longo e aprazível jantar, era perceptível seu desconhecimento sobre o WM, base de todos os sistemas de jogo atuais, dele derivados, e do fenômeno Carrossel Holandês, que tantas transformações produziu no futebol mundial, desde seu advento na Copa de 74. São dois dos pontos mais relevantes da história das táticas e estratégias do futebol desde sua invenção.
Mas, isso é comum entre praticamente todos os demais treinadores, sobretudo os nossos.
Segundo os jogadores do São Paulo, Don Osorio é mestre em aplicar uma metodologia de treinamentos diferente das que estamos habituados aqui. Ótimo. Mas, entre esse trabalho e o que a equipe costuma apresentar em campo, pontilham interrogações e exclamações.
Propõe algo excelso, mas escala o time com jogadores que contrariam o propósito apresentado (não me refiro aos eventuais desfalques, que isso atormenta a todos). Prega um jogo coletivo, praticado na base de troca de passes e muita agressividade ofensiva, e escala quatro zagueiros, dois volantes e outros tantos jogadores incapazes de praticarem esse tipo de jogo.
Mal chegou e já rondavam sua permanência no clube notícias sobe sua ida para a seleção do México. Qualé, meu?
Em meio a toda essa barafunda, aí vem o Palmeiras, tranquilo sob o comando sereno de Marcelo Oliveira, embora igualmente incerto no desempenho, alternando entre o bom e o ruim, justamente como o São Paulo, mas por outras razões.
No que vai dar esse Choque-Rei, só Zeus, o deus dos raios, sabe. Só espero que não sobre faíscas pro nosso lado.
Otima. materia