O Pacaembu reabriu seus portões para o Palmeiras entrar neste fim de semana, pois o Allianz Parque estava reservado para um show de rock ou algo do gênero.
Afinal, o Parque é o que a turma chama por aí de arena multiuso ou inteligente. Isto é: espaços públicos destinados não só à prática do futebol como também de realização de shows musicais, encontros religiosos, coisas assim.
Sucede que espio as tais arenas inteligentes e não vejo nenhum neurônio a mais do os tradicionais estádios de futebol em que também shows e encontros eram realizados até outro dia, antes da Copa no Brasil. Ao contrário.
Imaginei, quando esses novos estádios estavam sendo projetados sob a denominação de arenas inteligentes que se utilizariam de recursos tecnológicos mirabolantes, capazes de, pelo menos, preservarem os gramados, sempre vítimas de tais de tais eventos.
Sei lá; qualquer truque do tipo em que o zelador aperta um botão e escorrega um piso novo e sólido sobre o gramado, com palco e tudo. Ou, então, que numa determinada região das arquibancadas, houvesse espaço para a instalação de um palco escamoteável, enfim, algo assim.
Mas, nada.
Fico então olhando o Pacaembu reaberto e matutando como o velho estádio era mais inteligente do que os atuais nesse sentido. E de como a burrice, a ganância e o mau gosto se uniram num determinado momento de sua história para retirar-lhe justamente o que lhe dava graça e utilidade. Graça de um cenário muito antigo, dos tempos greco-romanos, e utilidade atualíssima.
Refiro-me à Concha Acústica, que, por ordem populista de Maluf, foi abaixo, substituída por esse monstrengo chamado Tobogã. Isso, para aumentar a capacidade de público, que, no fim, foi reduzida pra menos do que nos tempos que antecederam à sua construção. Basta dizer que o Pacaembu recebia em clássicos cerca de 60 mil espectadores antes do Tobogã, e hoje não resiste a mais de 35 mil.
E o que era a Concha Acústica? Um magnífico palco, visível de qualquer parte do estádio, construído em forma de concha, com uma acústica (capacidade de captar, amplificar e espalhar os sons de maneira exata) perfeita, onde se exibiam orquestras sinfônicas e demais espetáculos musicais. Tudo muito civilizado, com o gramado devidamente preservado, pois a turma assistia ao show sentadinha nas arquibancadas, gerais ou numeradas, numa boa.
Isso era inteligente, bonito e prático. Não essa estupidez que a sucedeu, sem um pingo de inteligência, apesar de todos os recursos hoje disponíveis.
Como o estádio, agora, anda meio de escanteio, a hora seria esta pra Prefeitura bolar um projeto de restauração da Concha Acústica exatamente como no desenho original, obra compatível com o estado de patrimônio histórico que timbra o Pacaembu por lei. E a partir daí incrementar a realização desses eventos todos, em melhores condições que os demais.