
Ao contrário do dito popular, pra mim, as aparências não costumam enganar. E, desde que essa figura começou a frequentar a telinha como dono absoluto da Copa no Brasil, confesso, passei a espiá-lo de esguelha. E não foi, não, por causa daquela frase chula de que o Brasil precisaria levar um chute no traseiro para se mexer em direção aos organogramas da Copa. Mesmo porque concordo com ele, nesse, e em tantos outros casos correlacionados, os quais são tão evidentes que nem preciso descrevê-los. Ou preciso?
O fato é que, se nada aprendi neste mais de meio século de aprendiz de jornalista, ao menos, desenvolvi o hábito de observar o comportamento, as expressões, os trejeitos, o olhar das pessoas públicas. E a combinação disso tudo na figura de Jerôme Valcke, secretário-geral da Fifa, me transmitia a sensação de que estava diante de uma farsa.
Havia ali algo de dissimulado, tisnado de certa arrogância disfarçada em eficiência e autoridade.
Pois, agora, a máscara caiu: o tipo é do balacobaco. Segundo denúncias de um seu parceiro em malasartes ao Estadão e ao Guardian, o bicho teria metido mais de 9 milhões de reais no bolso, em fraudes com a venda de ingressos para a Copa do Mundo no Brasil.
Resultado: foi afastado na hora de seu cargo na Fifa, até que as investigações policiais se encerrem, levando-o ou não às barras dos tribunais.
Longe de mim condená-lo desde já e aqui, agora. Afinal, no mundo civilizado, o sujeito é inocente até prova em contrário.
Apenas registro a desconfiança que começa a tomar forma de denúncia, pairando no ar.