
Já contei aqui a história da tática das galinhas, obra do saudoso João Avelino, o querido 71 de tantos clubes por esse Brasil afora? Já? Então, conto de novo.
Estava na avenida Paulista quando fui abordado pelo João. Isso, lá pelos anos 80. quando ele dirigia a Briosa, que à noite enfrentaria o poderoso Corinthians. Foi quando João me revelou a revolucionária tática das galinhas, que ele acabara de inventar para esse jogo.
-É assim, ó: encho o meio de campo de meias e fica ali todo mundo ali ciscando que nem galinha no terreiro. De repente, um escapa e dá uma bicada.
E não é que a Briosa deu duas bicadas no Timão naquela noite?
Pois bem, fosse eu o Dunga, que acaba de convocar a Seleção para o primeiro jogo das Eliminatórias sem um centroavante de ofício e sem o craque Neymar, impossibilitado de jogar contra o Chile, adotaria a tática do João. Do meio de campo pra frente, Renato Augusto, Oscar, William, P. Coutinho e Douglas Costa, com, sei lá, o Hulk no ataque.
Cisca, cisca, cisca, até que um deles se desprenda e surpreenda a defesa chilena.
Mesmo porque Renato Augusto, chamado em boa hora, pois está jogando demais no líder do Brasileirão, sabe marcar, assim como Oscar e William, o que supriria a necessidade defensiva, dispensando os tais volantes de profissão.
Como? Se cairíamos no velho tico-tico no fubá? Pois é isso mesmo, a ideia é essa. Ter a bola o maior tempo possível nos pés de jogadores hábeis, capazes de trocar passes e envolver a marcação adversária, até chegar ao gol. E não é esse o segredo mais do que desvendado do Barça de tantas conquistas?
Ah, mas e o entrosamento, já que esses caras nunca jogaram juntos? E por acaso há entrosamento no time que Dunga tem repetido? É um tal de bola pra frente, aquela correria inútil, seguida do sufoco que levamos até o fim da partida.
Sei bem que se trata de um delírio do velho cronista, pois Dunga jamais fugiria de seu roteiro tantas vezes percorrido, que tem como linha central o resultado.
Ora, se essa é a questão, por que não ter chamado Ricardo Oliveira, que está na ponta dos cascos, fazendo gols sem parar, num elenco carente de alguém nessa posição? Afinal, se Ricardo está velho demais para a Copa do Mundo, daqui a dois anos, o que vale é o momento, neste início de corrida por uma vaga no próximo Mundial. Este é um caso em que o resultado vale mais do que o desempenho, já que, se não trocarmos o braço da viola, a toada será sempre a mesma.
Assim, como, com a ausência de Neymar e tendo apenas Douglas Costa pelo lado esquerdo do ataque, Pato mereceria um lugar nessa convocação.
Mas, enfim…