As dúvidas de Dunga, uma dádiva

Mowa Press
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Ôpa, um avanço, afinal, na Seleção Brasileira: Dunga tem dúvidas. Dúvida é uma dádiva, pois provoca reflexão, o que pode romper com dogmas e conceitos fechados sobre isto ou aquilo.

No caso específico, Dunga tem dúvidas se arma um time para fazer experiências diante dos EUA, ou para ganhar do adversário, num jogo amistoso que nada vale, a não ser botar dinheiro no bolso dos patrocinadores e nos cofres da CBF.

A Seleção tem vencido uma pá de jogos com Dunga no comando. E nem por isso crítica e público aprovam seu trabalho, sobretudo porque, quando valia algo – a Copa América -, foi aquele vexame.

Dunga tem em suas mãos a última chance, antes das Eliminatórias, para arriscar uma nova formulação para nosso time. Algo que fuja ao estabelecido há duas décadas e que só nos trouxe infortúnio. Basta ter coragem e talento, o que não é pouco em se tratando de treinadores brasileiros, mais preocupados em se preservar no cargo, obtendo resultados a qualquer custo, do que em buscar algo novo, que, na verdade, nos remeteria de volta à nossa identidade perdida, aquela que nos deu glória e prestígio durante anos a fio.

Como?

Simples: mesmo arriscando-se a levar um sacode dos EUA, tente ousar uma escalação e uma disposição do time em campo que parta para afogar o adversário em seu próprio campo, com trocas de passes e envolvimento, ao estilo do que melhor fizemos no passado e os grandes de hoje fazem na Europa. E que assim prossiga mesmo depois de fazermos um eventual gol.

Para tanto, precisa se livrar do dogma dos dois volantes e o temor obsessivo do contragolpe, avançando sua linha de marcação e escolhendo os jogadores mais hábeis para trabalhar no sistema de armação da equipe. E isso está ao seu alcance, lá mesmo nos States.

Embora não seja um elenco comparável aos grandes de nossa história, é suficiente para mudar o braço da viola, e tentar um caminho, senão novo, ao menos fora da vala comum em que estamos metidos.

Uma sugestão? Pois, lá vai: à frente da linha de quatro defensores, os mesmos que têm atuado, e dali pra frente Luiz Gustavo; William, Lucas Lima e P. Coutinho; Lucas e Douglas Costa, por exemplo.

O esquema seria esse, as alternativas poderiam ser Firmino, Hulk, Kaká, sem falar em Neymar, que estará fora das duas primeiras partidas das Eliminatórias, mas dentro das demais.

Sim, claro, esse Brasil correria riscos diante de um EUA que tem sido carne de pescoço pro nosso time nos últimos anos. Talvez, os mesmos riscos que continuamos correndo contra qualquer adversário, jogando lá atrás, à espera do contragolpe fatal, que raramente surge.

Isso, sim, é que é velho. Mais velho do que a retranca de Milton Buzeto ou a Cerradinha de Caetano de Domênico, dois nomes que se perdem num passado tão distante quanto andar a pé.

 

3 comentários

  1. Não dá para querer jogar o “futebol brasileiro” como disse o Roger Flores tendo no meio de campo jogadores como luiz gustavo, fernandinho, william, tendo na defesa david luiz, marcelo, danilo, se meter de pato a ganso vai dar a mesma porcaria de 1982, quiseram imitar a seleçao de 70 e só ganharam de times horríveis, quando encontraram a itália já perderam!!!

  2. Prezado Helena.

    Sofri demais nas arquibancadas do Pacaembu com o Juventus do Milton Buzeto, que teve uma passagem curta pelo Corinthians. Era um tal de 11 atrás, segurar até a impaciência da torcida e do time ficar no limite. Uma bola qualquer enfiada, pronto, estrago ou “travessura” feita. Quando o Mário Sérgio (que jogou muito) foi treinador do Timão era um tal de futebol moderno e coisa e tal. Horroroso futebol, diga-se, retranca pura. Um amigo ficou bom tempo brigado comigo por conta que chamava o “professor” de Mário Buzeto. Faz tempo que o nosso futebol ficou de uma chatice bocejante. E não era só o Mário não.

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