Que sábado, meu! Um dia inteiro na Disneylândia da Bola.
A começar, de manhã, pelo Arsenal, com todos aqueles meias, sem centroavante fixo, envolvendo o New Castle, embora com resultado modesto: 1 a 0. Na sequência, o Chelsea do pragmático Mourinho desmoronando mais uma vez neste campeonato diante do Crystal Palace, por 2 a 1. Bem feito. Assim como surpreendente foi a derrota do Liverpool, em casa, para o West Ham, por 3 a 0, com direito a expulsão de seu principal jogador, o nosso P. Coutinho, que, com todos os méritos está de volta à Seleção de Dunga.
Enquanto isso, o City dava verdadeira aula de futebol diante do caçula Watford, sob a regência de Yayá Touré, o Falcão Negro. Digo isso na esteira da observação do meu querido Rodrigo Bueno, na Fox, comparando Yayá ao nosso Falcão, o Rei de Roma, como se ambos jogassem de smoking e colarinho duro.
Vou além: como Yayá é ainda mais versátil (joga de zagueiro, volante, meia e atacante) e artilheiro do que foi nosso Falcão, prefiro compará-lo a Beckenbauer, o mais completo da história. Então, ficamos assim: Yayá Touré, o Kaiser Negro. Joga demais e é um absurdo que não frequente a lista dos melhores do mundo a cada ano.
Bem, depois de me deliciar com o City de Yayá e aquele canhotinho espanhol maravilhoso, David Silva, maravilhei-me com a ousadia de outro espanhol, na verdade, catalão. Isso mesmo: Guardiola, que em plenas terras prussianas, vira tudo de cabeça pra baixo, ao escalar seu Bayern de Munique, num autêntico WM, a matriz de todos os sistemas que nossos coleguinhas gostam de decupar em números tais que cabem no código de uma CPF.
Sim, diante do forte Leverkusen, Guardiola ousa escalar seu time com três zagueiros que não são zagueiros coisa alguma. São dois laterais (Lahm e Alaba), hábeis e ofensivos, e um volante de passe exato (Xabi Alonso) como central. À frente deles, três meias e um lateral-ponta (Tiago Alcântara, Vidal, Muller e Bernat). Completando, três atacantes típicos: dois pontas canhotos (Robben, na direita, e Douglas Costa, na esquerda) com um centroavante genuíno, o artilheiro Lewandowiski.
Já pensou se algum técnico brasileiro tivesse a coragem de arriscar uma formação dessas? Seria internado no hospício na hora, com todos os decupadores de plantão batendo tambor. Resultado: 3 a 0, fora o baile particular de Douglas Costa e Robben.
Falando em Guardiola, desembarquemos, então, em Barcelona, onde o Barça, com Neymar de volta, naquele tique-taque tradicional meteu 1 a 0 no Málaga. Mas, se o amigo juntar os dois algarismos, formando um 10, teria alcançado o placar que o Barça merecia.
Metade disso, contudo, alcançou o Real, de fato, diante do Betis: 5 a 0, sem gol de Cristiano Ronaldo, creia. Mas, com dois antológicos do colombiano James Rodriguez – o primeiro, de falta da direita, com a canhota, no ângulo direito do goleiro; o segundo, de bicicleta. Tá bom?
Ah, sim, com exceção do City, apesar de Yayá ser tudo aquilo que já disse dele, nenhum dos demais times que nos ofereceram tantos momentos de deleite jogou com dois volantes, ao nosso estilo irremediável. E alguns deles, sem nenhum.
O que é isso? Moderno ou antigo como a Sé de Braga, como diziam os velhos cronistas machadianos? Sei lá. Só sei que é bom demais de se ver.