Don Osorio versus Don Osorio

Técnico do São Paulo tenta implantar conceitos diferentes no time (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)
Técnico do São Paulo tenta implantar conceitos diferentes (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Devagar também é pressa, ensina o velho malandro que tão bem conhece os atalhos desta vida.

O conselho cabe direitinho no bolso de Don Osorio, que está no olho do furacão. E não estou falando desse mimimi todo em torno de uma mensagem indigesta no celular do técnico, que o levou a público desnecessariamente, sobretudo logo depois de derrota em que seu time foi uma verdadeira mixórdia, tática e tecnicamente.

Falo do tempo ajuizado para Don Osorio aplicar seus valiosos conceitos sobre futebol no atual São Paulo, a verdadeira contrafação do histórico Tricolor.

Se a atual diretoria herdou a irresponsabilidade e a incompetência da anterior, e ainda por cima o elenco não é lá essas coisas, embora também não seja uma baba, a hora é de Don Osorio ir implantando suas ideias em conta-gotas pra não transbordar o copo.

Mesmo porque ele está tentando aplicar três conceitos ao mesmo tempo, de forma que um anula o outro.

E quais são esses conceitos?

1) Montar um sistema de jogo em que a equipe fique mais agrupada, numa marcação alta, no campo adversário, esmerando-se no toque de bola. E isto, sim, é fundamental no sentido de mudar o braço da viola do nosso futebol.

2) Promover rodízios frequentes entre titulares e reservas.

3) Aumentar o índice de versatilidade de seus jogadores. Ou seja: que mais jogadores sejam capazes de exercer várias funções na equipe.

Ora, pra que o número 1 funcione a contento,  o número 2 deve ser adiado pelo tempo necessário para que a turma ganhe entrosamento. Sim, porque, pra que seu time jogue coeso, à frente e com muito toque de bola, é preciso que haja harmonia entre os jogadores, que cada um saiba o que é melhor para o outro, seu posicionamento etc. O rodízio, nesse caso, funciona no sentido oposto do desejado: provoca mais desentrosamento do que harmonia, claro, óbvio, elementar.

Por fim, o número 3 deve ser injetado no dia a dia com parcimônia, pois é sempre uma quebra de hábito do jogador e ele precisa de tempo para se adaptar às novas funções.

Bem, aí caímos numa quarta questão, esta a mais essencial de todas: quais as escalações mais corretas para se obter o melhor resultado (não falo de placar, e, sim, de desempenho) na aplicação do sistema escolhido (número1)?

Se você quer um time que jogue ofensivamente no campo adversário, com sua zaga avançada e um meio de campo que toque a bola, não pode ficar escalando três zagueiros lentos e sem técnica suficiente, muito menos dois ou três volantes deficientes no passe. Isso é puro suicídio, pois, nesse caso, o normal é perder a bola lá na frente, pelo passe errado, e tomar contragolpes com sua zaga lenta avançada.

E aqui entra o poder da versatilidade. Mais importante do que ficar deslocando laterais para as pontas ou coisas do tipo seria treinar volantes velozes para cumprir as funções dos zagueiros e preencher o meio de campo com meias que saibam tocar a bola com maior precisão do que os volantes habituais. Já que tudo começa com o primeiro passe lá atrás. Exatamente o oposto do que tem feito Don Osorio.

Resumindo: Don Osorio pensa bem, mas está executando errado. Está indo na contramão do que deseja. E isso é inconciliável.

 

 

8 comentários

  1. Boa tarde, creio não estarmos vendo o mesmo time ou ouvindo as mesmas coletivas do Osório, pois semana passada ele havia comentado que era do tinha de melhor, unica peça verdadeiramente fora de lugar era Carlinhos, que não é lateral (pois toda vez que ele atua nela é um Deus me acuda). Infelizmente o problema do SPFC esta na diretoria mais do que no técnico, que vaza assuntos que são próprios dela, em um ano não conseguiu se planejar financeiramente, esportivamente e administrativamente. Hoje o Osório é criticado por ter falado do rodízio, mas se não tivesse dito nada ninguém nem perceberia pois há sempre lesionados e suspensos e ele mantém uma espinha dorsal com Rogério, Bruno, Tolói,Tiago Mendes, Michel Bastos, Ganso, Pato, Luis Fabiano, agora também com o Luis Eduardo, mas que sido alterada mais pelos problemas do que por rodízio. E ai até o fim do ano provavelmente será “uma no cravo e outra na ferradura” por causa dos jogos quarta e domingo!!!

  2. A verdade é nua e crua, está diretoria além de burra é incompetente ao extremo.
    Fazem dois anos que estão aí, os mesmos erros e as mesmas babaquices e irresponsabilidades.
    Querem argumentar o que !? não foram capazes de conquistar um patrocinador master, sendo que outros
    conseguiram, além de possuírem elenco melhor…
    A onde está o problema…
    Neles os pavões misteriosos…
    Bando de vermes…
    VAZAM SEUS LIXOS…
    FORA AIDAR, FORA ATAÍDE…

  3. O Telê Santana já implantava o rodízio em 1994 quando lançou o expressinho e um time do SP complementava ao outro.
    Telê fez cafú lateral virar meia, Léo lateral virar meia, Bernardao que era Lateral virar volante entre outras mudancas. Nada disso é novo no futebol, mas Telê teve tempo, perdeu um brasileiro em 90 fez um paulista muito fraco em 90, mas deram tempo a ele , tempo imprecindivel no futebol. Deixem o osório tentar, deixem o Osório inventar, deixem ele mudar o futebol brasileiro e crescer. Quem nao corre riscos nao cresce, nao desenvolve.
    SPFC , Flamengo, Santos, Vasco, Gremio, Inter, sempre foram grandes reveladores de talento do futebol brasileiro, quando esses times pararam de lançar talentos o futebol brasileiro caiu na mesmice. Por favor Deixem o futebol brasileiro crescer !!

    1. Marcelo, o Tele não realizava rodízio ele tinha dois times uma para cada campeonato, mesmo pq naquela época, quem tinha melhores elencos e era campeões. eram punidos pelo calendário , que jogavam na terça, quinta e no final de semana, não tinha jogador que resistia e o elenco tinha que ser muito forte

      1. Atílio,

        No time do Telê todos jogavam, Juninho jogou 2 partidas no mesmo dia por dois times diferentes. Catê sempre aparecia no time principal, Sim tínhamos dois times, mas havia uma especie de alternaçao entre os dois times. Aliás sou a favor da teoria dos dois times, jogando campeonatos distintos e mesclando jogadores. Exemplo : Um time para a copa do Brasil e outro para o Brasileiro.

  4. O objetivo de Osório me parecer ser implementar um único conceito, e este se define em “um sistema de jogo em que a equipe fique mais agrupada, numa marcação alta, no campo adversário, esmerando-se no toque de bola.”

    O que fora destacado como conceitos “2” e “3” são os caminhos pelos quais ele chegará a aplicação daquele sistema.

    Entendendo o conceito como único, não podemos fraciona-lo e aplicar parte por parte, uma após a outra; isto, porque para que o sistema de jogo que ele deseja implementar funcione, requer uma harmonia de tudo que foi falado acima.

    Passo a explicar a razão disto.

    Para que um equipe se agrupe e adiante sua marcação, diminuindo assim os espaços da equipe adversária, requer-se uma intensidade de jogo muito grande com um auto índice de concentração, pois qualquer falha poderá ser fatal.

    Isto é impossível de ser mantido utilizando apenas os 10 jogadores titulares – mesmo se tivéssemos um jogo por mês, o que não é o caso, temos oito – pois o desgaste físico e mental do atleta é muito grande durante os 90 minutos.

    Quando o Osório promove o “rodízios frequentes entre titulares e reservas”, ele não busca somente manter os jogadores aptos fisicamente para o jogo, seu principal objetivo é o envolvimento de todos atletas com a disputa de um jogo oficial. Todos sabemos que “jogo é jogo” e “treino é treino”, em cima disto, o Osório não distingue seus atletas entre titulares e reserva, ali, todo mundo faz parte do time. Ele utiliza todos seus jogadores para que o time não dependa de alguém em especial; para o dia em que esse ou aquele jogador não estiver 100%, o esquema escolhido (a equipe agrupada e tirando os espaços do adversários), que requer auto nivel de concentração e intencidade, não se desmantele, e acontece o que aconteceu com os São Paulo nas ultimas partidas.

    Seu objetivo é o mesmo quando tenta “aumentar o índice de versatilidade de seus jogadores”. A finalidade não é melhor qualificar aquela posição (colocando volantes para jogarem com zagueiros), e sim manter seu estilo de jogo durante os 90 minutos.
    Até porque, o que chamamos de versatilidade nada mais é do que ensinar o atleta a compreender o esquema de jogo. A partir do momento que ele compreende o jeito que seu time joga, ele consegue exercer mais de uma função em campo.

    Simples assim, mas nós preferimos passar instruções individuais a cada jogador, sem definir um esquema de jogo coletivo, deixando que ele aconteça naturalmente com o famoso entrosamento. Pior ainda fazemos com os reservas, que instrução alguma damos a eles, de modo que ele sequer saber a função daquele jogar que irá substituir. O esforço tremendo realizado por Osorio para aplicação deste conceito se justifica pelo mesmo motivo que faz o rodizio de jogadores, a manutenção da intensidade e concentração da sua equipe.

    Ora pode ser realizadas somente 3 substituições no decorrer da partida, então o que fazer quando já realizada as alterações um atleta aponta um cansaço superior ao dos demais da equipe? Como seus jogadores conhecem a função de todos os outros em campo, Osório pode facilmente deslocar um jogador com melhor condição para exercer a função daquele já desgastado, colocando-o para exercer um papel que exija menor esforço.

    O conceito que Osório quer aplicar é simples, quiçá obvio. Aquele que se comprometer (intensidade e concentração) mais à partida, e buscar o objetivo final do jogo (o gol) na maior parte do tempo, sairá vencedor.

    E ele sabe que para aplicação deste estilo, precisa-se ter um bom plantel. O que ele sabe também é que plantel não é o que pensamos ser (um grupo de 25-30 jogadores de alta qualidade técnica, sendo dois para cada posição, um reserva e outro titular, e que o reserva só entrará quando titular não puder atuar, e que, mesmo sem um ritmo de jogo, deverá atuar no mesmo nível daquele que foi substituído), mas sim um grupo de jogadores que compreendem o modelo de jogo utilizado pelo time, e estejam aptos a atuarem em alto nível qualquer jogo da temporada, e não somente quando seu titular se machucar.

    Enfim, o conceito que o Don Osório gostaria de aplicar no São Paulo é de um futebol coletivo.

  5. Sr Helena Jr, respeito muito sua opinião, mas ganhar do Ceará com todo respeito, não dá para falar que o técnico acertou, perder no Morumbi onde toda a imprensa palpitava que seria 5×0, 7×0 para o São Paulo e já faz tempo que este time não prova nada, basta lembrar que no mesmo Morumbi acabou eliminado por Bragantino e Ponte Preta pela sul-americana e fora outros time pequenos que fizeram a festa nos outros campeonatos, como Paulista a mesma Copa do Brasil, Brasileirão, mas principalmente em mata-mata

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