
Quem te viu e quem te vê…
Quem viu Van Gaal dirigindo o Ajax campeão da Europa e do Mundo, há vinte anos, e, mais tarde, o Barça, não o reconhece no Manchester United, que acaba de vencer o Aston Villa, na abertura do campeonato inglês.
Aquele outro Van Gaal, embora idiossincrático como agora, botava seus times pra frente, praticando um futebol vertiginoso, incisivo, sempre voltado para a busca do gol. Este Van Gaal é a negação daquele: se o seu time consegue fazer um gol, como fez neste sábado, com Januzai, ordena, feito o velho técnico da anedota caipira: “Arrecua os arfos!”.
Enche o time de volantes e fica ali na moita, defendendo o magro resultado.
Dizem que é uma lei da natureza: à medida em que o cara envelhece, vai ficando mais cauteloso – a pele se rompe mais facilmente, o passo fica trôpego, as lembranças escapam num segundo, toma birra com este ou aquele, os sentidos embotam. Deve ser isso, né?
Se assim for, Van Gaal é vítima de envelhecimento precoce. Algo parecido com o que acontece com a maioria dos nossos treinadores, incluindo os recém-chegados à praça.