A turma está de olho em Don Osório. Cada gesto, movimento ou palavra do treinador tricolor é examinado com lupa, gráficos, percentagens e outros parangolés.
Há os que o julgam um gênio, não do tipo Einstein, mas do gênero da lâmpada de Aladim, que aqui desembarcou para dar luz às trevas e produzir pequenos milagres a cada jogo do seu time. Assim como há os que o tratam como mais um gringo engrupidor, desses de papo esotérico sobre os segredos do futebol guardados a sete chaves no armário de sua casa, e que, no fim, dá com os burros n’água.
Mas, a maioria o vê como um cara estudioso do futebol, com diploma da Uefa na parede, estágio na Inglaterra, onde reina Sua Majestade, A Modernidade, dentro e fora das quatro linhas, capaz de conferir ao São Paulo um estilo de jogo mais consistente e agradável do que vem sendo apresentado nas últimas temporadas.
Tive uma longa e aprazível conversa com ele, logo após seu desembarque por aqui. E fiquei bem impressionado com seu nível de entendimento do futebol.
Lembro de que quando lhe falei sobre o WM – código: 3-4-3 -, seus olhinhos cintilaram:
– É o meu preferido. – arrematou.
Bem que tentei demovê-lo da ideia, advertindo-o que aqueles três defensores iniciais do WM não eram esses três zagueiros-zagueiros, no dizer de Luxa, que pululam por aí. Eram dois laterais e um central.
Don Osório, porém, fez o que lhe pareceu mais conveniente. E passou a escalar o Tricolor com três zagueiros-zagueiros.
Se sua intenção fosse montar uma retranca e sair no contragolpe, como ocorre na maioria das vezes com essa formação, tudo bem, é uma escolha, embora infeliz pra quem goste realmente do futebol e não simplesmente do resultado.
Não é o caso, contudo. Ao contrário, graças a Deus!, Don Osório quer apenas manter uma certa segurança lá atrás para o time sair com tudo ao ataque – laterais, volantes, meias e até um dos zagueiros para completar o meio de campo.
E sair com tudo para o ataque, entenda-se bola rolando de pé em pé, em passes oblíquos feito o olhar de Capitu, como o colombiano gosta de treinar, desde sua linha de zaga.
Para tanto, anda treinando Lucão e Breno, dois beques por vocação e estilo, como volantes, além de Rodrigo Caio, que já exerceu essa função várias vezes antes.
Se tivesse Don Osório à sua disposição clones de, digamos, Beckenbauer, Luís Pereira e Franco Baresi, erga-se a mão para os céus! Mas, o fato é que não tem. Longe disso! O que tem são beques convencionais, uns melhores do que os outros neste ou naquele fundamento, mas nenhum que assegure uma saída de bola e a rápida recomposição do meio de campo com a presteza e a técnica indispensáveis para tal tarefa.
Então, me pergunto: por que Don Osório não inverte essa equação? Em vez de transformar zagueiros em volantes, que treine volantes como zagueiros. Pelo menos, o passe inicial, o desjejum do jogo ofensivo e bem trabalhado, seria mais qualificado e seguro.
Não seria nenhuma novidade, pois essa foi uma tendência que vigorou por aqui desde o advento do assim chamado quarto-zagueiro justamente por ter sido um volante a recuar para a linha de zaga. Danilo Alvim, Formiga, Fiúme, entre tantos que fizeram essa migração nos anos 50. Da mesma forma, que os volantes eram meias recuados e assim por diante.
Mas, sem dúvida, seria algo mais compatível com a visão expressa de Don Osório e um profundo rompimento com o lugar-comum aí estabelecido.
Helena, você tem acompanhado o noticiário do SPFC? Se sim, deveria saber que o Osorio perdeu os seus dois volantes titulares pois foram vendidos. Bonito na teoria sugerir essa inversão, mas é preciso lembrar que ele mal tem volantes para escalar durante os jogos. Vamos ficar um pouco mais atentos à realidade que o Osorio tem em mãos? Nos pouparia de críticas sem fundamento como essa.
Helena, espera Helena, de palpite o São Paulo e o Ozório estão com os sacos cheios e sem títulos. O homem é um dos 100 melhores técnicos do planeta. .Ao invés de tentar ensiná-lo, porque não esperar o final da aula e tentar aprender algo? Olha o time que tem e como hoje o São Paulo está jogando…..asista aos jogos do São Paulo (Bruno, Auro,1/4 Breno, Hudson, Centurion, Lucão, Luiz Carlos, 1/2 Ganso, 1/2 Luiz Fabiano) e o time corre, joga bem, perde muitos gols mas sofre muitos contra-ataques.. Ele vai resolver, aguarde.e aprenda. Aliás não fique no passado.!!!! O Trem da historia anda…..Lembre-se que no ano passado tivemos um 7 x 1 histórico que é melhor esquecer e tentar reavaliar nosso caminho!
Meu amigo: não tenho veleidades de ensinar nada a ninguém sobre coisa alguma, pois sei bem da dificuldade de as pessoas aprenderem coisas que escapam ao seu reduzido repertório de vida. Sou, na verdade, um eterno aprendiz, que segue a regra do velho sábio: “Quem despreza o seu passado, não entende o presente, nem é capaz de traçar seu futuro”. Obrigado pela lição, embora dispensável porque acredito no trabalho de Don Osório e espero ansioso por seus frutos.
Helena, …lembrando, assim foi com D. Dario Pereira, que só se tornou D., quando foi recuado a zaga.
Boa crônica e excelente ponto levantado. De quem conhece os detalhes da bola. abraço