
Neymar e Messi voltaram de férias, entraram em campo, e… gol de Neymar, gol de Messi, contra a Roma, na decisão de um desses troféus de verão que antecipam a temporada europeia. No segundo tempo, golaço de Raktic.
É isso aí: o mesmo Barça de sempre – bola nos pés, domínio absoluto do jogo, e, na magia de seus jogadores ou na bobeira do adversário, bola na rede.
Você fica espiando pela tv e se delicia com aquela troca de bolas incessante que há anos marca a presença do Barça em campo, como agora acontece com o Bayern, do catalão Guardiola. Seja com o time reserva, seja com todos os titulares, a tocada é a mesma.
Então, a gente baixa os olhos para os nossos campos e abre os microfones pros nossos técnicos, comentaristas, cartolas, empresários e o diabo a quatro. E o que se ouve? Ah, mas com aqueles craques todos, até eu.
É mesmo?
O craque é essencial, sem dúvida, assim como o bom jogador. E quase todos que saem daqui para o Exterior, alguns deles execrados pela mídia e a torcida, quando chegam lá, encantam, ou, pelo menos, quebram um galhaço, naqueles campos recheados de craques bilionários e famosos.
Será que é mais fácil enfrentar o Real, o Arsenal, o Bayern, o Barça, o Chelsea, o PSG, os dois Manchesters etc., ou o Figueirense, o Coritiba, o São Paulo, o Corinthians, o Flamengo, o Inter e tal e cousa e lousa e maripousa?
Messi, na Seleção Argentina, não joga um terço do que joga no Barça. Mas, espie só quem é o técnico da Argentina. O mesmo Tata que afundou o Barça, quando de sua breve passagem pela Catalunha.
Bote o Dunga no lugar de Guardiola e o amigo verá aonde vai parar o Bayern. E assim por diante.
Tínhamos uma defesa que era saudada pelo mundo como os melhores jogadores de suas respectivas posições – Daniel Alves, que acaba de ser premiado com a camisa de Xavi no Barça, embora nem jogue na mesma posição, Tiago Silva, Daniel e Marcelo.
Na Seleção, foi um desastre!
Aqui, Neymar era o firuleiro cai-cai, de cabelo esquisito, brinquinhos nas orelhas, não passava de um adereço, apesar de tudo que conquistou com o Santos. Era o artilheiro do time, e cansei de receber mensagens dos internautas dizendo que o carinha era inútil, não fazia gols.
O que eu quero dizer é que, no Brasil, mídia, torcida e treinadores estão de mãos dadas, resistindo ao avanço a qualquer custo, em nome de uma falsa modernidade. Modernidade está expressa no futebol que eles praticam lá, não nesta coisa que chamamos de futebol aqui. Ou seja: o velho futebol europeu do qual eles se descartaram há anos, em favor daquele que jogávamos aqui, tempos atrás.
Ainda outro dia, o meu considerado Luxemburgo, pra justificar a presença de três volantes no seu Cruzeiro, criticou os jornalistas que exaltam o futebol do Barça, do Bayern e congêneres europeus, insinuando que seu esquema é o mesmo desses times e que nós estávamos vesgos diante da realidade.
Quando um técnico da dimensão de Luxemburgo diz coisas assim – supondo que ele acredita no que diz -, então nossa vaquinha se afundou de vez no brejo da soberba e da ignorância.