Domingo, conheci pessoalmente Don Osorio, no Mesa Redonda do Flavinho que se estendeu à mesa do Alfama dos Marinheiros até o início da madrugada, em agradável tertúlia, como se dizia antigamente.
Sujeito gentil, bem humorado, receptivo, apesar de seu evidente conhecimento sobre as coisas do futebol e da engenharia humana, muito ao contrário da maioria dos nossos treinadores que se consideram verdadeiros professores numa área em que não passariam de ano na prova de história e e das teorias do futebol.
Há lacunas na galeria de conhecimentos de Don Osorio, próprias dos técnicos de sua idade, fruto talvez da falta de informações mais precisas sobre o que se passava nos campos antes de abrirem os olhos para o jogo e suas nuances.
A maioria dos técnicos e comentaristas, no máximo, era menino no início dos anos 70, a partir de quando realmente começou a ser montado um acervo visual, em cores, do que ocorria nos campos de futebol do mundo todo. Antes disso, as imagens se escasseiam e as informações impressas se resumem praticamente às coleções de jornais e revistas das respectivas épocas, que cometiam erros atrozes, diga-se, no tocante a sistemas e escalações adotadas. Isso, sem falar nos que nasceram muito depois.

Ainda agora há pouco estava lendo um texto na Gazeta Esportiva.net sobre Zizinho, o Mestre Ziza, uma raridade, diga-se, pois ninguém fala de Zizinho há séculos. Claro, afinal, quem tem acesso às pálidas imagens que restaram de sua bola mágica?
A não ser este que lhe fala- modestamente, como diria Vittório Gassman, em Il Sorpasso ao colher o ar de agradável surpresa da dama ao ser cingida na dança lenta e sensual. A ponto de ter merecido certa vez uma mensagem do saudoso Ivan Lessa, um dos mais deliciosos textos do jornalismo brasileiro de sempre, que me elegia o melhor cronista esportivo do Brasil. Não por eventuais talentos superiores. Mas, simplesmente, porque era o único que vivia lembrando Zizinho, seu ídolo maior, o que farei até o último suspiro.
Pois, se Pelé foi um fenômeno da natureza como nenhum outro, Zizinho foi o mais completo craque do mundo em todos os tempos. De uma inteligência prodigiosa, marcava, armava, driblava, lançava, controlava a temperatura do jogo a seu bel prazer, e fazia gols, com os pés, a cabeça e em bolas paradas. Fazia tudo sim sem ter um físico privilegiado, nem abdicar da noite, sua amiga de sempre.Basta dizer que foi chamado pelos italianos que vieram à Copa de 50 de O Leonardo da Vinci da Bola, ou seja: o gênio da Renascença que transitava com talento único em várias áreas das artes e conhecimentos.
O amigo haverá de se perguntar: onde esse cara quer chegar exumando um cadáver já seputaldo na memória dos técnicos, mídia e torcida?
Quero mostrar em como Zizinho, que reinou nos nossos campos do início da década de 40 ao final dos anos 50, está tão vivo e atual que seria o futuro ainda a ser atingido pelo nosso futebol de hoje. Se nossos experts o tivessem visto em campo, por certo, estariam acenando Mestre Ziza como um exemplo para a chamada modernização do arcaico futebol brasileiro destes dias, seja nos clubes, seja na Seleção: aquele meia-armador que marca, arquiteta as jogadas e chega pra participar do lance final. O substituo certo pro tal segundo volante, essa maldição que embota toda a nossa criatividade há décadas.
Claro que não há e possivelmente jamais haverá outro Mestre Ziza. Mas, depois dele, vieram Didi, Gérson, Ademir da Guia, Dirceu Lopes, sei lá quantos outros tantos meias capazes de cumprir essas três funções com classe e eficiência. Mas, se quisermos descer as escadas do Panteão do Futebol Brasileiro, encontraremos nos degraus abaixo uma infinidade de outros jogadores com essas características que funcionaram muito bem, mantendo o padrão brasileiro de jogar bola.
Agora mesmo, na Seleção, há jogadores, que, mesmo sem a genialidade dos citados, podem cumprir essa função melhor dos que os atuais e intocáveis segundos volantes de praxe. Refiro-me a Everton Ribeiro e Willian.
Willian desenvolveu no Shaktar a capacidade de marcar e a aprimorou no Chelsea. E Everton Ribeiro, um lateral-esquerdo de origem, sempre a teve.
Só falta coragem e discernimento para Dunga ousar além do estabelecido. Além, claro, da convicção de Mestre Ziza, que, quando de sua breve passagem como treinador, anunciava o óbvio: monto o meu time pra jogar, o adversário que corra atrás.
ALBERTO, VOCE PROVAVELMENTE ASSISTIU BRASIL CHECOSLOVAKIA NO PACAEMBU ONDE JOGARAM JUNTOS!! ZIZINHO E LUISINHO (PEQUENO POLEGAR) QUANDO DEMOS UM VERDADEIRO BAILE NO ADVERSARIO..
QUANTO AO SEGUNDO VOLANTE EU DISCORDO: DEPENDE DE QUEM JOGA !
FOSSE O ZITO, FALCAO, DINO, DUDU, ADEMIR, ETC, FICA VALENDO. TUDO DEPENDE DE QUEM ESTA JOGANDO.
ABRACOS
Não vi estes jogadores atuarem ,sou mais novo que voces ,mas sempre são venerados por quem os assistiu.Agora o futebol tornou-se muto agressivo e nossos atletas na função de volante como queiram ,sempre que investe sobre o adversario ou toma a posse da bola ou faz a falta.na maioria das vezes faz a falta .O maior problema no futebol atual no Brasil é o ensinamento nas bases ,com esta historia de jogador moderno ter que atacar a qualquer momento ,seja lateral ou zagueiro esta completamenta erronea.Estamos fabricando zagueiros artilheiros ,volantes artilheiros e na sua função são pessimos defensores.O que precisamos é construir o conjunto ,o time e ai sim as qualidades individuais vão aparecer ,quanto ao Dunga já escrevi outro dia aqui ,já passou quatro anos entre 2006 e 2010 e não agregou valor ,evolção algum em nosso seleção ,não tem porque traze-lo de volta para o comando técnico ,com ele nosso time regride no tempo ,sem esquema, sem tatica.Disse ele que estudou ,ai eu pergunto onde? vendo televisão em casa?foi auxiliar de quem?
Eu vi mestre ziza jogar , foi em São Jose do Rio Preto São Paulo 2×0 América , gols de Gino e Maurinho com um lançamento de Zizinho do meio do campo para Maurinho, nunca mais vai ter um craque como ZIZINHO.
Na década de cinquenta, acompanhei, pelo rádio, tudo o que o nosso futebol apresentou. Lembro-me do grande mestre Ziza (Pelé o considerou um dos melhores jogadores do Brasil), Jair da Rosa Pinto, Ademir Menezes (o Queixada), Luizinho (o pequeno polegar), Cláudio Cristovão Pinha,entre outros grandes talentos. Mas, indiscutivelmente, o mestre Ziza foi um dos maiores astros do futebol brasileiro.