O palavrão do fidalgo

Gazeta Press
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Na esteira do tema do blog anterior, leio que Don Osorio, tão exaltado na mídia pelos jogadores do São Paulo justamente por sua figaldia no contato com  grupo, deixou escapar um palavrão em espanhol no treino do São Paulo, quando um zagueiro deu passe errado na saída de jogo. Não sei exatamente como isso aconteceu, pois nossos repórteres preferem exaltar o escândalo e não reportar a cena pra quem não estava lá – isto é, o mundo.

Mas, não é difícil adivinhar, pois todos os nossos males táticos nascem exatamente no berço das jogadas: a saída de bola da defesa. Nossos treinadores costumam ser extremamente ciosos na postura da defesa de nossos times, sobretudo em bolas paradas. Mas, quando se trata de jogar, é aquele bumba-meu-boi: bola pro mato que o jogo é de campeonato.

Pelo visto, Don Osorio quer o óbvio, o elementar, o básico no futebol moderno, como, aliás, o de sempre. Que a bola saia macia e bem dirigida desde lá detrás. para que haja uma sequência lógica e fluente na troca de passes dali pra frente. É assim que jogam os principais times do mundo, como era assim que se jogava no Brasil até meados dos anos 80, quando o tal futebol de resultados (leia-se, retranca) passou a vigorar em nossos malfadados campos.

Ah, mas beque é beque, meu, não tem essas finezas, não, dirá o amigo pragmático de plantão. Nananina! O beque pode não saber dar um chapéu, um drible de calcanhar, essas firulas todas, mas passar a bola, livrando-se do adversário que eventualmente o ataque, é obrigação mínima pra quem deseja ser jogador de futebol profissional.

Mesmo porque ele tem diante de si o panorama mais amplo do campo do que qualquer outro, com exceção do goleiro. Todas as opções estão à sua vista, basta escolher a melhor e acertar o passe.

Se não souber fazer isso, tente a vida de cartola ou de político, que lhe será mais compatível.

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