A ciranda infernal dos técnicos

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Essa turma vai pra onde o vento sopra, o mesmo vento que espalha ao leu toda a papelada dos pretensos projetos e planejamentos anunciados com pomba todo início de temporada.

O cartola brasileiro é refém dos resultados, assim como a torcida e a mídia esportiva. E age apenas ao sabor deles, sem critério, nem juízo. E assim vai acumulando dívidas sobre dívidas em clubes já mergulhados no fundo do poço dos resultados financeiros.

Basta citar esses dois exemplos mais recentes, em clubes cujas gestões eram tidas como exemplares na tentativa de recuperação econômico-financeira: Flamengo, que despediu Luxa, e Palmeiras, que acaba de mandar embora Oswaldo de Oliveira. Vão continuar pagando os salários nababescos desses, dos que chegam e dos que foram despedidos há um, dois anos. Em média: cada clube desses troca três técnicos por ano.

Só o Palmeiras, em um ano e meio, trocou quatro treinadores.

E não se trata apenas de técnicos iniciantes, não. Felipão, Luxemburgo, Muricy, Marcelo Oliveira, atual bicampeão brasileiro, Abel Braga, agora Oswaldo de Oliveira, todos levaram um pé nos fundilhos, assim como os novatos como Marquinhos Santos, que acaba de ser demitido do Coritiba. Não há blindagem pra ninguém contra essa fúria por resultados.

E, mais: reconhecendo a própria incapacidade de cuidar do futebol, a joia da coroa de todo clube brasileiro, os cartolas pagam os tubos pelos chamados diretores ou gerentes remunerados, tidos como especialistas no assunto. Apesar disso, continuam contratando mal os jogadores e demitindo técnicos de cambulhada. Ainda outro dia, Alexandre  Mattos foi recepcionado no Parque como um verdadeiro pop-star, o homem que comandaria a grande virada verde no ano.

É uma ciranda infernal, que não para por aí.

Nesta noite de quarta-feira mesmo, mais um pode entrar na roda: Marcelo Fernandes, técnico do Santos, que já está na alça de mira da diretoria. Se perder para o Galo, o que é muito possível já que se trata de um adversário de alto nível em relação à media dos demais times brasileiros, Marcelo não deve resistir.

E, então começa a corrida entre Palmeiras e Santos por outro Marcelo, o Oliveira, que não servia mais para a Raposa, mas que passou a ser objeto de desejo do Peixe e do Verdão.

Dá pra entender?

8 comentários

  1. Se a expectiva de recuperarmos a hegemonía do futebol mundial é cada vez mais pessimista,ao menos no quesito de enviar técnicos para a guilhotina somos imbatíveis.
    Estamos na 6ª rodada do Brasileirão e atingimos a média de um por rodada.
    Haja pescoços até a 38ª!!!

  2. Helea ,me desculpe ,mas desta vez não foi só os maus resultados e sim a imprensa que demitiu Osvaldo .Porque esta semana eu assisti alguns programa de TV e só se via fofoca e intriga e fofoqueiro(travestido de jornalista ) fazendo fofoca e descobrindo novidades ,aliais TV que só comenta e não transmite jogos ,apenas fazx fofoca ai não da , ninguem aguenta este rolo compressor que alguns jornalista criam ,mas este ano eles vão bater o record de demissão de treinadores no Brasil.

  3. BOM DIA ALBERTO HELENA, MAS TEMOS QUE CONCORDAR QUE O.O. NÃO ESTAVA CONSEGUINDO FAZER RENDER OS JOGADORES QUE TEM EM MAÕS, E O PALMEIRAS NÃO TEM JOGADORES RUINS…

  4. Fala Helena! Meu caro, concordo plenamente com suas observações, só faria um adendo à ele: a falta de critério da imprensa esportiva de um modo geral. É um absurdo o carnaval que eles fazem para “criar” uma notícia e lançá-la “em primeira mão”, quando na verdade o foco dela seria “comunicar” uma notícia “em primeira”.
    Por exemplo, os “programas” de tv como o Bate Bola I, II e III (cito eles em especial porque são vergonhosos!) da ESPN Brasil, os da Band, os da Fox Sports, assim como os de rádios como Jovem Pan, Bandeirantes, enfim, em todos esses a tônica deles é uma só, “criar” notícia, não comunicar uma notícia.
    Observe agora, todos eles estão ouriçados “criando” notícia tentando adivinhar quem ocupará a cadeira de técnico do Palmeiras. Daí eles exaltam as virtudes dos candidatos, seja ele o Marcelo Oliveira e Cuca, que amanhã ou depois sendo contratados serão exaltados nos 5 primeiros jogos, porém, a partir 7º ou 8º jogo começarem a “criar” a notícia da possível demissão destes por não terem ajustado o time, etc, etc, etc…
    Francamente? Tenho saudades da velha guarda da crônica esportiva, que até pela falta de tecnologia e recursos midiáticos, primavam por COMUNICAR uma notícia em primeira mão ao invés de “criarem” uma notícia”…
    Acho que você como um dos últimos dessa estirpe deve se entristecer com o que estão fazendo com o seu amado ofício, não é verdade? Contudo, não esmoreça, pois há muitos que assim como eu apreciam o seu trabalho e conduta. Um abraço!

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