Xavi: a síntese de tudo.

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Xavi anunciou sua partida do Barça em direção ao Qatar, onde será também embaixador da Espanha com vistas à próxima Copa. Quer dizer: o rapaz não dá ponto sem nó. Vai ganhar uma boa grana e abrir espaço nos corações do povo de lá para que sua seleção seja recebida com flores e tapete de veludo.

Sempre que falo de Xavi me vem à mente uma passagem emblemática envolvendo dois craques brasileiros extraordinários dos anos 30/40: Romeu e Tim.

Ambos, Romeu, meia-direita, e Tim, meia-esquerda, foram parceiros durante anos no Fluminense do início da profissionalização oficial do futebol brasileiro e na Seleção, inclusive a da Copa de 38 na França.

Já técnico prestigiado, Tim, o Elba de Pádua Lima, foi entrevistado por uma estagiária que lhe perguntou na bucha:

– É verdade que esse tal de Romeu jogava muito?

– Se jogava muito não sei. Só sei que passava meses sem errar um passe – respondeu Tim, com um sorrisinho malandro.

É o caso de Xavi: passa meses sem errar um passe.

Aliás, o tique-taque que faz a glória do Barça há muito tempo e que chegou ao primor com Guardiola, deve muito à presença de Xavi, fosse como volante, fosse como meia, embora essas funções naquele time sejam difusas.

É aquele meia de futebol enxuto, que joga mais com a cabeça do que com os pés, um verdadeiro metrônomo em campo. Pra quem não sabe, metrônomo é aquele aparelhinho que se coloca em cima do piano – um meio círculo de base com uma haste batendo de um lado a outro e fazendo aquele  som de tique-taque para marcar o compasso.

É música, como a sardana, a dança típica dos catalães, de acordes hipnóticos e movimentos contidos, como se herdados das profundezas silenciosas das escarpas gregas mais antigas.

Tique-taque, tique-taque, é o maestro regendo a orquestra em campo, sem errar o compasso, sem errar o passe.

A síntese de tudo.

 

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