O boxe de resultado

helena2Nem cogitei de pagar pela luta na tv, embora amante do boxe, pois já previa que estava reservado para o telespectador incauto: um longo bocejo na madrugada de domingo.

De manhã, lendo os comentários da imprensa estrangeira, do Baldini, que entende da coisa, e de alguns astros do boxe, como Tyson e De La Hoya, confirmei minha sombria expectativa.

Luta do século? Nem mesmo a luta do ano, esse combate ferido entre Mayweather e Pacquiao, é a opinião unânime.

Claro, pois Mayweather é a suprema reprsentação do boxe de resultado, transpondo para o ringue a expressão usada para qualificar o futebol que a maioria dos times apresenta hoje em dia nos campos.

Fica ali, retrancado, soltando jabs para manter o adversário à distância, e, vez por outra arrisca um direto, um cruzado ou um upper. Raro.

Ora, como Pacquiao já não tem a mesma velocidade nos punhos e nas pernas de anos atrás, quando esse combate deveria ter sido realizado, e tem menor envergadura, teria enormes dificuldades para romper a defesa do oponente, e a coisa toda flutuaria numa nuvem de tédio, do início ao fim.

Ganhou o americano, um portento em matéria de cartel – cinquenta vitórias seguidas, se não estou enganado. Mas, um furo n’água em matéria de emoção, já que não arrisca um centímetro.

Pelo visto, vai encerrar sua vitoriosa carreira com números impressionantes e uma conta bancária de causar inveja a muitos milionários internacionais.

Mas, uma coisa garanto: o meu dinheirinho ele não leva.

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