A Seleção Paulista

 Ivan Storti/SFC
Ivan Storti/SFC

Fosse nos tempos do falecido Campeonato Brasileiro de Seleções, e a escolha dos melhores paulistas desta temporada doméstica criaria o maior salseiro na imprensa e nos botqeuins.  Mas, saiu apenas a Seleção do Paulistinha, que, certamente, não entrará em campo com a cammisa das treze listas. E não há muito o que discordar, se algo houver. Vamos caminhar por ela, posição por posição:

Fernando Prass ganha a número 1 porque esse foi seu algarismo dentre os goleiros, apesar das presenças significativas de Cássio e de Rogério Ceni. Mas, tanto o corintiano, quanto o são-paulino, vacilaram mais do que o palmeirense, que, ainda por cima, foi herói da classificação ao defender pênaltis fatais diante do maior rival e até então líder virtual do certame. E não só por isso. Desde os tempos do Vasco, aliás, que Prass se destaca como um goleiro de colocação precisa, reflexos apurados e muita elasticidade, além de ser um cara inteligente e bem articulado ao falar sobre as coisas do futebol, um líder, enfim.

Fagner ganhou a lateral-direita mais por ausência de um competidor à altura nessa posição em que nosso futebol é tão carente. Cria do Parque São Jorge, rodou mundo, e teve boa participação quando passou por São Januário. De volta ao Timão, tem respondido com eficiência, sobretudo quando vai ao ataque.

Gil tem sido cogitado até para a Seleção de Dunga, principalmente, por sua regularidade. Está sempre presente nos jogos, discreto mas eficaz, erra pouco, o que é um grande atributo daquele que é o último homem de linha (ou, o primeiro, se contarmos do goleiro pra frente). Justa escolha.

David Braz comeu o pão que o diabo amassou ao longo de sua carreira, depois de se revelar no Palmeiras como um zagueiro de grande futuro. Quando ninguém mais apostava no seu futebol, eis que Braz ressurge na Vila fechando sua área e abrindo as dos adversários com seus gols surpreendentes. Pelo que jogou até aqui, merece.

Zé Roberto é mito, como gostam de dizer os meninos. Um mito que se nega a sair de cena para se acomodar no nicho da galeria dos imortais. É simplesmente imortal em plena atividade, já quarentão, disparando pela lateral-esquerda onde a imensa maioria dos analistas desaconselhava que voltasse. Mesmo depois de ter sido eleito o melhor do Brasileirão na lateral-esquerda do Grêmio. Joga fácil, desliza em campo e tem um vasto repertório de jogadas com aquela canhotinha encantada.

 

Gabriel foi um dos que Oswaldo de Oliveira trouxe do Botafogo sem que a turma desse muita bola. Revelado no Glorioso, pelas mãos do técnico, não é nenhum portento jogando. Mas, sabe jogar. E sabe se colocar bem em campo. Com porte de meia, não de volantão, passe exato e muita dinâmica de jogo, reveza-se bem com Arouca nas funções de destruir e sair jogando.

Arouca é simplesmente o mais completo volante brasileiro há muito tempo. Marca, arma, chega ao ataque para finalizar, tudo isso com muita presteza, constância e eficiência. Mais do que merecido – uma exigência seu nome nessa lista ilustre.

Robinho, que teve uma breve e opaca passagem pelo Santos, renasceu no Coritiba, sob os auspícios e os conselhos de ninguém menos do que Alex. Aliás, o ex-craque verde, quando o indicou para o Palmeiras no início do ano, aconselhou-o a atuar como segundo volante, não meia. Mas, foi pela meia mesmo que Robinho conquistou o coração da torcida verde Dono de boa técnica, porém, destacou-se pelo empenho, pela multiplicidade de funções em campo, além de alguns gols providenciais.

Lucas Lima, canhoto, hábil, veloz com a bola nos pés, senhor de passes e dribles desconcertantes, foi, a meu ver, o melhor jogador do torneio. É o grande articulador do time do Santos e um jogador que já merece ser chamado por Dunga.

Robinho, outro mito ainda em atividade, foi figura decisiva na brilhante campanha peixeira no campeonato. Da intermediária adversária à frente, mexe-se o tempo todo, e, quando tem a bola nos pés, é aquele perereco! Uma pedalada aqui, um corte ali que deixa o beque sentado, o passe decisivo ou o tiro fatal, o repertório de Robinho segue tão variado como sempre. O diabo são as contusões que lhe tiram a devida continuidade, de jogo pra jogo, ou na própria partida. Merecidíssima escolha.

Ricardo Oliveira desembarcou na Vila sob fortes suspeitas de que seu tempo já era. Não era, coisa alguma. Depois de vagar ali pelas áreas inimigas sem encontrar o caminho do gol, finalmente acertou o passo e encerra sua participação com o título de artilheiro do campeonato. Não é fácil.

Craque do Campeonato – Quem levou a palma foi Ricardo Oliveira, mas quem a merecia, como já disse lá em cima, era seu parceiro Lucas Lima. O artilheiro do campeonato deveria receber um prêmio em separado, tipo Chuteira de Ouro, essas coisas.

Craque do Interior – Crislan, do Penapolense, um atacante alto, de técnica razoável pra boa, tem 23 anos de idade, e foi revelado pelo Piauí, passando por Náutico e Furacão antes de alcançar tal distinção com a camisa do Penapolense, graças a seus gols. Como ele mesmo já disse certa vez: “Não sou bom, sou esforçado”.  O esforço, pelo visto, valeu a pena.

Revelação – Rafael Longuine, embora meia-armador por vocação, vira e mexe está lá na área marcando seus golzinhos. Destacou-se no Audax, depois de ser reprovado por vários clubes, e ter passado pelo Grêmio, entre outros. No Paulistinha, foi realmente a revelação. Tanto, que o Santos, já prevendo a saída de Lucas Lima, acossado por vários clubes europeus, contratou-o de imediato, antes mesmo de o campeonato se encerrar.

Dois detalhes nessa eleição dos melhores do campeonato. O primeiro, a baixa presença de jogadores do Corinthians, que, até a desclassificação diante do Palmeiras, cumpria  campanha excepcional. O segundo, a ausência absoluta de qualquer jogador do São Paulo, o time que exibe o maior número de celebridades no torneio.

Sucede que o Corinthians se notabiliza pelo conjunto, sobretudo no sistema de marcação. E as celebridades tricolores não brilharam o suficiente para merecer tal destaque. Talvez, coubesse a presença de Michel Bastos, no lugar, quem sabe, de Gabriel, mas, do jeito que tá, tá bom.

 

 

 

 

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